domingo, 23 de junho de 2013

Sobre Manifestantes & Vândalos

    A cada dia minha vontade de partir para um vlog é maior! Só me falta uma câmera, porque nem sempre os textos me satisfazem na transcrição da situação, em sua totalidade.
   Mas vamos ao tópico de hoje.
    Após participar da manifestação em Campinas, no dia 20/06, que eu comentarei sobre em postagem futura, ou não, notei que diversas camadas sociais estavam por lá. E exatamente este é o foco desta postagem - sobre como rolou tal interação entre as diversas pessoas, e como a grande mídia nos traz isso, e como acabamos interpretando isso.

    As manifestações estão sendo tratadas como Marchas da Família com Deus pela Liberdade (inclua aí a luta contra os comunas, de 1964, já que qualquer bandeira vermelha tem de ser abaixada), onde a paz deve imperar. Concordo? No máximo com um protesto pacífico, mas de modo algum passivo. O movimento não é apolitizado, nem teria como ser (isso pode ser assunto pra futuras postagens), então há reivindicações sendo feitas. Mas em algum momento acontece de um bando de 'baderneiros' e 'vândalos' começam a depredação. E agora fica a pergunta: esses vândalos são ou não são manifestantes (note que usarei uma generalização, ainda há grupos com perfis totalmente distintos do apresentado, que provocam vandalismo de maneira que não consigo compreender)? Retomarei a pergunta após uma conversinha com você, coleguinha =]
    Notei que, enquanto conversávamos com as pessoas, durante o protesto de Campinas, havia um clima de paz, mas alguns meninos e rapazes, aparentemente nenhum acima dos 25 anos, enquanto trocávamos palavras de ordem e entoávamos cantos, sentíamos um certo rancor da parte deles, que buscavam sempre se expressar de maneira mais violenta, mudando palavras da música, gerando músicas realmente violentas. E foram as mesmas pessoas que quando "o pau comeu", partiram para as zonas de atrito. Eram rapazes que vestiam roupas mais simples que a grande maioria das pessoas que estavam lá, com seus smartphones e gadgets em geral.
    Em sua maioria, os agressores a ordem pública consistem em jovens como eu, que estão indignados com a situação do país - só que no caso deles não é só do país. Não são jovens universitários, de classe média, ou média-alta. Sequer tem alguma classe. São tratados como marginais perante outros participantes da manifestação. São sombras, são as pessoas que quando passam perto, as mulheres seguram a bolsa contra o corpo e os homens checam se a carteira está no bolso, ainda. São marginalizados pelos próprios manifestantes.
    E não só marginalizados pelos outros manifestantes, são marginalizados pelo próprio ato, que não apresenta causa alguma, ou pouco defende algo favorecendo a população da periferia (como os 20 centavos SIM), tida como marginal. Por vezes, os manifestantes advindos das periferias caminharam por horas para estarem ali, porque as escassas linhas de ônibus que fazem o trajeto até o centro da cidade foram cessadas, por conta da manifestação.
    E são marginalizados pelo sistema. Eu não diria pelo governo, pois nos últimos anos houve uma série de medidas que, por mais hipócritas que pareçam, ainda buscaram trazer algum alento aos mais necessitados, mas o sistema os marginaliza. Marginaliza por não terem um atendimento médico, quando necessário, para eles ou para a família; ou quando a mãe cria solteira o filho, porque o pai ou tá preso ou morto - e se não está, trabalha o dia inteiro para um salário mínimo. Marginaliza quando não dispõe escolas de qualidade, ou quando os professores são agredidos por uma cultura impregnada, onde, desvalorizados, não tem o mínimo de respeito dos alunos por eles, e assim os alunos, já cientes de que não tem uma chance de um futuro melhor, corroboram com a situação precária dos profissionais e ajudam a declinar ainda mais a educação (o que gera um ciclo vicioso, diga-se de passagem).
   Marginaliza quando o menino, de 14 anos, voltando da escola, toma revista dos PMs só porque é preto e pobre. Marginaliza quando esse menino tem o sonho de ser jogador de futebol, porque é a única chance dele ter uma vida longe da periferia e da violência. Esse menino que muitas vezes quis aquele brinquedo ou o lanche que passou na TV, mas nunca pôde comer. E que quando crescer, ou vai pra bandidagem, ou levar uma vida de cão, ganhando merreca e se enfiando em bares pra que o torpor do álcool faça esquecer um pouco a situação animalesca a que é submetido.
    Marginaliza quando a menina, aos 11-12 anos começa a ganhar corpo e o padrasto abusa da menina, que sai de casa ou vai acabar engravidando do padrasto (não que isso permeie apenas a população mais carente, mas o índice destes ocorridos por aqui é sensivelmente maior). Marginaliza a menina que cuida dos irmãos mais novos, limpa a casa e aguenta xingo da mãe, porque não deu conta de todo o serviço; que queria a boneca da apresentadora X ou Y, ou o bebê que respirava - mas nem mãos ia ter pra poder brincar, porque já cuidava de bebê de verdade.
    E essas crianças crescem, e viram adultos, viram a própria figura de seus pais. E o padrão se repete, e há um ódio do sistema tão embutido nessa maneira com que vivem, e vivem nessa marginalização há tantas gerações que isso tá estampado no fundo de suas almas. A revolta é muito grande - e eles, mais do que ninguém, querem a mudança do sistema, e são manifestantes, como quaisquer outros. Mas não ensinaram pra eles as palavras bonitas que universitários usam. Não ensinaram a cordialidade para com o próximo; pelo contrário! A visão de polícia que eles tem é dos "hómi" que tão chegando e batem na molecada, por uma certa diversão sádica, só porque esses 'moleques' não podem revidar, e "já são todos bandidos mesmo, então apanha, que não vai ter jeito". Eles não sabem COMO demonstrar toda a revolta, escrevendo um texto, dando um depoimento. Eles foram ensinados pelo sistema, forjados numa violência social - e agora vão cobrar o preço por isso. Vão tomar das lojas os bens que não podem comprar, vão roubar a passatempo da gôndola do mercado, vão tacar pedras nos símbolos do poder público e nas obras públicas. E vão sentir prazer nisso, vão ver nisso uma certa diversão, porque estarão demonstrando o ódio que têm pelo sistema, estarão devolvendo ao sistema a violência que lhes é imposta no dia-a-dia.
    Isso é certo? Com certeza não. Mas a violência foi abordada, primeiramente, por qual lado?
    Afinal de contas, esses "vândalos", são ou não são manifestantes? Ao meu ver, eles são. E estão lutando, embora de maneira errada, com mais vontade que uma boa parcela das pessoas presentes nos protestos. Note que não me ponho a favor da vandalização, só digo que ela, embora não seja justificável, tem um motivo radical.
    Já a galerinha classe média e uns metidos a punks que depredam sem causa, eu só faço o pedido para cessarem esse comportamento indevido, que prejudica o decorrer dos protestos.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

E o Gigante acorda... E pra onde ele vai?

Ladies and Gentlemen, WE ARE LIVE!
    Demorei para escrever aqui, sobre essa tal Revolta/Revolução do Vinagre, mas JURO que foi por uma boa causa. E acho que vou tentar explicar sobre esta causa em mais uma daquelas "paredes de texto", que só quem curte ler as porcarias que eu escrevo vai ter paciência. E vai te consumir uns 10 minutos de vida.
    Pra começo de conversa, seria legal a gente assistir a este vídeo aqui, pra dar aquela emoção, sabe? E vou escrever dum jeito facinho facinho de ler, pra não ficar muito empolado =P

    Então vamos lá! #Vamos_pra_rua ! E para que?
    Ah, não são só os 20 centavos, tem a PEC 37 (que aliás, você que começou a ler o texto, responda com sinceridade: você sabe do que se trata o Projeto de Emenda da Constituição n° 37? Ou tá sabendo só o que o Jabor disse - a PEC da impunidade?), e o fim da corrupção, e... E... E o Brasil acordou!
    Com o perdão da expressão, puta merda. Bacana o lance da mobilização, o flashmob que tá surgindo, ver que a galera percebeu que não precisa estar num estádio de futebol ou no carnaval para falar a mesma língua. Mas o movimento, em si, não passa de um carnaval fora de época, mas é mais pra um carnaval dos coxinhas. E eu tenho medo de como vai se desenrolar esse lance, daqui pra frente, do rumo que esse "Gigante" vai tomar, isso se não voltar pra cama, e dormir "em berço esplêndido" por mais quinhentos e poucos anos.
    Vamos aos #fatos:
I) O protesto começou um dia qualquer em Sampa, com a galera depredando ônibus com o aumento das tarifas. Logo, alguns xexelentos e militantes partiram pra causa e rapidinho tínhamos aquela tradicional cena de estudantes de humanas (é algo quase preconceituoso a se dizer, mas é bem real)  que apoiam os movimentos populares porque acham justo - e eles tem mesmo que apoiar, dar subsídio intelectual nessas situações!
II) A TV, então, caiu de pau, e aí um grupo de amigos resolveu que iria se juntar à baderna e engrossar um pouco o caldo. E saíram às ruas. Como a tarifa de São Paulo é no mínimo abusiva para o serviço fornecido, foi bem bacana a galera ter entrado na roda.
III) E o protesto chegou à internet, com o ar de repressão policial, e um sentimento de injustiça, a galera foi aderindo, aderindo... E os universitários chegando, colocando água no feijão e jogando uma farinha pra engrossar, fazendo aquele tutu que tinha tudo pra terminar na repressão que rolou na USP, em 2009. Mas o golpe de sorte começou aí! A população resolveu que ia aderir aos protestos, justamente pelo lance do abuso da passagem que tá todo mundo de saco cheio! E aí a coisa ficou legal. E era pelos 20 centavos SIM!
IV) Chegamos no clímax do rolê! Aqui foi onde a galera do Movimento do Passe Livre tava caindo de pau, e centenas de pessoas, talvez uns poucos milhares, começaram a instaurar o CAOS pelos 20 centavos, e ERA SIM PELOS 20 CENTAVOS! E algumas outras cidades do país resolveram sair em apoio, e lutar para que esses 20 centavos não saíssem do bolso deles! Foi nessa hora que uma galera começou a azedar o leite, mas dum jeito não muito bom, porque não ia virar queijo, só ia coalhar, sem deixar que virasse nem uma coalhada decente =/
    Uma galera cujos 20 centavos a mais não fariam diferença, mas estavam lutando pelos direitos alheios, resolveu começar a tratar de corrupção e o protesto começou a expandir, a abraçar as causas do mundo inteiro E, pra terminar de colocar a cereja de perdição do movimento no bolo... A mídia, que era contrária, teve alguns repórteres atacados pela polícia.

V) (de Vinagre, onde nossa revolução virou palhaçada):
    A mídia então começou a comprar a ideia dos protestos, e o Facebook ficou lindo, cheio daqueles reacionários que criticavam "bolsa-tudo" no país aderindo ao movimento, cheio de moças que semana retrasada tavam tirando fotos com plaquinhas "As feministas não me representam" ou caras que xingavam os coleguinhas de gays, como pior insulto possível, gente que esperava ansiosa à Copa das Confederações... ESSAS pessoas entraram no protesto, e transformaram o vinho em vinagre. Azedaram a p*rra toda.
    Não fiquei descontente DE MODO ALGUM com todo mundo aderindo ao protesto, mas a manifestação perdeu o foco, deixou de ser pelos 20 centavos, começou a ser pelo fim da corrupção, pelo fim da PEC 37, da PEC 33 e de tantas outras siglas que 1 a cada 10000 manifestantes devam saber o que realmente significam. E começaram a dizer que o movimento não tinha uma causa, e sim, todas as causas.

VI) E agora Jabores e Sheherazardes (ou "Shaarizardes"), a rede Globo e até a Veja começaram a defender, e sabem por quê? Porque acharam uma oportunidade "Gigante, grande como nunca se viu" de fazer o que fazem de melhor: atuar, mascarar e enganar!
 (Uhuuul! Sou livre, não vejo os fiozinhos me puxando!)

    Não se tratava de um ou outro repórter machucado, o que começou a ficar em jogo é a população brasileira! Nada melhor que uma massa de manobra agitada, um povo descrente, para que uma liderança seja sugerida e acatada. Aí começaram a pipocar os coxinhas-revolucionários, aqueles pedindo impeachment da Exc. Sra. Dilma Roussef. Do Haddad. Mas doía falar alguma coisa do Alckmin, então ele foi lá e fez aquele discurso se eximindo de culpas, dizendo que o povo brasileiro é sofrido (pra não falar fodido) e que faltaria guilhotina se soubéssemos 10% do que fazem com a gente. Pois é, agora é tirar a Dona Presidenta do cargo dela e colocar o que? Um Michel Temer? Um Aécio Neves? Quem sabe tentar alocar o Sr. Burns, digo, José Serra? Ou a Marina da juventude, que quer que os jovens estejam do lado dela, diz que vai defender as minorias, mas teve nojo de pegar na bandeira arco-íris, símbolo máximo dos gays, e que quer encher o país com bancada evangélica no congresso?
    Cara, NÃO! Por favor, né?

VII) E o golpe continua, pois agora o movimento é apartidário e defende o fim da corrupção, a melhoria da saúde e da educação, isso, aquilo, aquele outro... E os 20 centavos.
    E o acesso à internet serve para continuar influenciando as pessoas a terem raiva de um país, direcionando cada vez mais para algo pessoal.
    Notemos que o público é de classe média, a galera que tá protestando é classe média, em sua maioria, e da classe C+ e B-, pra ser mais específico. Poucas são as pessoas da periferia. Aqueles que enfrentam uma guerra cotidiana, de um lado traficantes, do outro uma milícia de policiais mal-intencionados, e do outro a polícia mal preparada, que aborda o menino de 13 anos por ser negro e mal vestido no bairro, que joga o "moleque" no chão, suja a camiseta do uniforme, quando voltava da escola. E o único lazer do menino é jogar bola, isso se sobrar tempo, porque tem que trabalhar pra ajudar na casa, e não sobra tempo pra estudar, acaba abandonando o estudo e é o ciclo vicioso. Um ou outro pode continuar estudando, porque o auxílio do bolsa-família, bolsa-escola e até o bolsa-gás permitiu que não começasse a trabalhar aos 14, e conseguiu terminar o 3° colegial, talvez até se apoiar num ProUni para fazer um ensino superior de qualidade duvidosa, mas suficiente para ter um diploma e uma profissão mais razoável. Talvez ele sonhasse em ser professor.
    Aliás, os professores. Profissão mais importante possível, formadores de cidadãos, xingados de merdas e incompetentes por pais, com um prestígio pior que de um traficante (afinal, muita criança quer ser chefe de boca, pra ter algum status na vida), e vistos com maus olhos pela população. E quando foram brigar por salários mais altos, aqui em SP, foram taxados de depredadores de patrimônio público e o movimento deles, com mais de 20 mil profissionais capacitados e querendo melhorar suas condições, foi reduzido na TV pra umas 2 mil pessoas vândalas e preguiçosas. Mais uma vez, puta merda.
Só duas mil mesmo?


    Começamos a nos tornar uma massa de manobra, burra, cega.
    Nossa música de protesto, a postada ali em cima, veio de algo comercial, uma montadora de veículos. Até nossa música tema é fabricada por outrem =/

VIII) E chegamos na intolerância. Intolerância, como assim?
    O movimento é pela democracia, certo? Então porque PORRA as pessoas não podem carregar bandeira de partido? Sério, alguém me explica? É a PORRA do ponto de vista delas, e na democracia as minorias devem ser respeitadas. Minha visão sobre isto: sabe por que não permitem bandeiras de partidos? Porque os partidos envolvidos em manifestações assim geralmente são PSTU, PT, PSOL, PCO... E isso é contra a visão dos burgueses, né, gente!?! Concordo que o movimento é apartidário, e nenhum partido está tomando posição como criador do movimento, mas não podemos boicotar a liberdade de expressão. É como dizer: "mulheres não podem participar do protesto".
    Outra coisa: o machismo tá rolando solto, lá! Vi dúzias de fotos com pichações como "nem sua mãe vale isso", "nem puta custa tão caro". Ou ainda "Pelo fim do funk". CARA! É expressão cultural! Querer o fim de um estilo musical (por menos que eu ou vc gostemos dele) é extirpar uma parte da nossa cultura - e o pior, da periferia, que é quem mais precisa que os direitos sejam preservados, pois são os mais explorados! Quer o fim da corrupção só pra classe média? Quer garantir direitos só pra classe média, é isso? Vota no PSDB então, cacete! Daqui a pouco vão proibir que pessoas cuja família tenha renda percapta menor do que 3 salários mínimos de estar na passeata!!!
    Não se trata de um lance de apartidarismo, trata-se de uma revolução burguesa, que está por acontecer, onde a periferia vai ser ainda mais prejudicada.


No fim das contas, o que eu vejo que precisa ser feito, antes que esse "Gigante" levante, dê uma espreguiçada e volte pra cama, deixando o Brasil do mesmo jeito que tá, só que diferente, é que analisemos cada passo dado, que o movimento seja cautelosamente estudado e que sejam combatidos problemas mais focados, um movimento sem foco não tem objetivo, não tem onde chegar.
Devemos lutar por várias pequenas causas, aos poucos, reivindicando cada direito por vez. O aumento do prestígio dos professores, pela mídia e pela sociedade, depois seus salários, depois jornada de trabalho.
A contratação de mais médicos, redução de jornada de trabalho, melhores condições de trabalho.
A melhoria de saneamento básico nos bairros X, Y, Z.
A condenação de acusados de desvio de dinheiro, com sua prisão e ausência de benefícios ilícitos ou exploratórios, mas de réu por réu.
Ao combate da homofobia, fim da "cura" gay.
E pelos 20 centavos da passagem, como era no começo.

O que realmente nós precisamos não é tirar ninguém do poder, agora. Não precisamos dar um golpe de Estado. Precisamos focar nosso movimento, nosso "Gigante", fazer com que cada passo dado por nossos representantes seja assistido e julgado pelo povo, precisamos fiscalizar todas as medidas decididas nas câmaras de vereadores, deputados, no Congresso... Afinal, nós que colocamos eles lá, não? É nosso dever vigiá-los. E gritarmos, como estamos gritando agora, quando passar aquela mínima ideia de fazer algo errado na cabeça deles.

sábado, 13 de abril de 2013

A piada do Auxílio-Reclusão

    Boas noites galera das internets!
    Hoje eu fui abordado pela graça da Camila, que tava reclamando SOBRE (e não DO) o auxílio-reclusão. Acho que todos nos deparamos com alguma coisa do gênero:

    De fato, é uma vergonha, isso não posso negar!
    É uma vergonha um trabalhador honesto ganhar R$ 678,00 e um presidiário ganhar mais de 4 mil reais por mês. Só que a vergonha maior é a galera sair promulgando por aí imagens como esta. Só prova que você é bem alienável e acredita em qualquer coisa que te empurram pela goela abaixo. A piada, aqui, é o brother que não se informa e sai arrotando pum por aí! Daí tem nossa amiga Camila (obrigado por chutar o traseiro dessa galera alienada o/) e me avisa que AINDA tem gente que acha que o rolê é bem esse mesmo, e não tem a capacidade de buscarem informações.
   Em 5 minutos é possível fazer uma pesquisa naquele site e procurar por "auxílio-reclusão", a pessoa é direcionada para o site da Previdência Social, e teremos acesso à seguinte informação: o auxílio, a partir de 01/01/2013 será de R$971,78 (valor máximo). Se acessarmos a lei Lei nº 8.213, de 24/07/1991, da PS, verificaremos que o benefício é concedido para alguns detentos, e está dentro das seguintes conformidades (ou seja, precisa cumprir as seguintes exigências):
    I) O auxílio não é dado ao preso, e sim aos familiares, tais que: II) sejam dependentes do detento, comprovadamente; ou seja: se o detento sustentava à casa com o salário do seu emprego, o Estado garante que a família receba o valor do salário do detento. E entenda por dependentes filhos menores de 18, esposa e inativos dependentes; independente do número de dependentes o benefício é o MESMO. III) O benefício apresenta mesmo valor do salário do presidiário. Ou seja, se ele ganhava R$700,00/mês, o benefício será de 700 reais e será entregue aos familiares pela Caixa Econômica Federal. E se o detento ganhar um valor superior a este salário, antes de ser preso, a família não tem direito; bem como o benefício não é dado para famílias que são independentes da verba do detento.

    Pode-se dizer que isso trata-se de uma injustiça, mas aí eu coloco uma pergunta para o indivíduo que ainda acha tal benefício desnecessário: qual crime a família de um detento cometeu, para ser privada de seus benefícios? Vivemos em uma democracia, e há igualdade de direitos entre os cidadãos, seria inconstitucional deixar uma família dependente passando fome! Isso não é nada além do sistema apoiando quem precisa.
    Não é correto retirar a fonte de renda de dependentes, sem que haja uma maneira de permitir que eles sejam apoiados.

    Em resumo, a explicação: O Auxílio-Reclusão não muda de valor de acordo com a quantidade dos filhos, o valor (máximo) é reajustado todo ano, nunca superior a 1,5 vezes o salário mínimo e só é garantido para presos que trabalhavam antes; o benefício é dado para os familiares e não para o detento e, por fim, isso é feito porque é anticonstitucional privar dependentes da fonte de renda, quando os mesmos não cometeram nenhum crime.

    Explanação rápida e desanimada, pq to com uma gripe desgraçada e minha vontade de escrever tá ceifada.

    Até a próxima o/

domingo, 7 de abril de 2013

HQ [2]: Uma síntese da história da humanidade, na visão do humano médio.




Talvez meio reduzida, talvez meio parcial, mas acho bem próximo de como o homem se põe perante à sociedade, ao longo da construção da mesma.

Imagem retirada de http://obviousmag.org

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

E finda 2012

    Bom dia, seus lindos leitores! Quero deixar minha mensagem de final de ano para todos os que lêem e não lêem este blog, mas foram sacaneados pelo Facebook e caíram aqui =)

    Acabou 2012, o que não é segredo pra nenhuma pessoa. É fácil olhar no calendário - se você está lendo, tá em um computador e pode arrastar o mouse pra cima do relógio, se não estiver usando algum sistema operacional ou aplicativo que mostrem constantemente a data.
    Acabar um ano a mais, um ano a menos talvez não faça diferença. Esse é o último dia do ano, mas sobrevivemos a tantos outros dias... Mas por algum motivo, tornamo-lo especial, comemorativo. Dispendemos tempo, dinheiro e nosso esforço elaborando uma festa de transição do período que denominamos ano.
    Enquanto centenas de milhares de pessoas fazem promessas, tentam mandingas e simpatias, fé em superstições e resoluções de ano novo, prevendo um 2013 melhor, eu vejo 2012.
    Vejo meus erros, meus tropeços, minhas inconveniências e mancadas. Vejo meus podres, meus passos errados, meus pecados, a preguiça que deixei me tomar e o quanto ela me prejudicou. E não faço nenhuma promessa, não creio em superstição. Afinal, são tantos os dias que sobrevivemos...
    O ano acaba depois do fim do mundo, e junto com ele acabaram-se muitas esperanças, muitas vidas; e tivemos muitas perdas importantes (mas falar de coisa ruim é chato).

    Mas está enganado quem acha que espero um novo ano ruim.
    Olho meus erros para tentar aprender, para saber onde não cair mais. Não faço promessas para não descumprí-las. Não tento superstições por acreditar que uma mudança na vida depende só de nós mesmos, e não de sorte. Precisamos erguer a cabeça e fazer o novo ano.
    Não esperemos que o ano novo traga uma maré nova, façamos esse ano ser realmente novo. Lutemos pelos nossos sonhos e vontades. Que aprendamos a ser mais tolerantes, mais pacientes. Que deixemos as raivas, os preconceitos, os males para trás. Que saibamos viver melhor, darmos asas a nossos sentimentos. Que respeitemos os coleguinhas, e os que não são coleguinhas também! Porque cada um tem o direito de gostar ou não de alguém ou de alguma coisa, mas todos temos o dever de respeitar tudo que nos é igual ou diferente. E o mais importante: QUE SEJAMOS FELIZES.

    Que esse novo ano que já começou no coração de todos faça deste mundo um lugar melhor para todos! Um feliz 2013.
Beigos e abraços =)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

21-12-2012 e o fim do mundo

    Não é de se espantar que eu ainda esteja aqui, já que o mundo não acabou.
    Vimos, nesses últimos tempos, como é poderoso o poder de um boato, sobre uma profecia mal-interpretada de um povo cuja cultura está extinta, embora haja indivíduos remanescentes. A história do fim do mundo foi tão intensa que algumas pessoas realmente fugiram dos locais onde vivem, estocaram recursos e tentaram se colocar em locais que acreditavam ser protegidos de quaisquer males que possamos enfrentar.
   
    A crença do fim do mundo é algo recorrente, presente em todas as religiões, comum a todas as populações. É algo tão presente quanto a morte.
    Não conseguimos entender o quão orgânica é a sociedade e tornamo-a uma vida como a nossa - que tem que ter um fim. Datamos nossas vidas, estipulamos prazos, colocamos um ponto final em todo dia, semana (e quem não quer o fds?), o mês (pra chegar logo o salário), o ano (e todas as promessas de que seremos melhores no ano seguinte), o século (e as invenções que virão) e os milênios e suas novas eras. O mundo TEM que acabar, em nossa concepção.
   
    E tem mesmo. Mas não to falando sobre catástrofes, apocalipses zumbis, invasão alien, dinossauros com pistolas... ou quem sabe mais o que a galera consegue ver. Falo sobre acabar o mundo, como já acabou N outras vezes.
    Rompemos com correntes filosóficas, costumes que julgamos inadequados, modismos, literaturas, governos, entre tantas outras coisas. E renascemos fortes, ou pelo menos mais fortes do que éramos - claro, ao nosso ver. Criamos uma nova barcaça de ideias, esperanças e podres, transmitindo às futuras gerações essa nova gama de objetivos e lugares a serem atingidos. Evoluímos.

    Há alguns milhares de anos percebemos e entendemos que haviam quatro estações e aproveitamos isso para que desenvolvêssemos a agricultura, e assim pudemos fixar moradia, ter um local onde ficaríamos todo o tempo. Construímos nossos primeiros LARES, e aí surgiu a propriedade privada. Os primeiros bens duradouros e o mundo, como conhecíamos, acabou.
    Passados mais uns tempos, já com a ideia de casa e família desenvolvida, reparamos que nem todas as trocas eram justas e justificadas, então desenvolveu-se um sistema monetário, afim de facilitar as transações de bens. Pedaços de metais, jóias preciosas, tudo era usado nesse escambo pelo que seria necessário.
    E veio a escrita. Documentar tudo o que era visto, por nomes nos bois, contar a história (do vencedor). Ferramenta utilizada por quem dominava - tanto é que por muito tempo o conhecimento da escrita se manteve nas mãos de uma pequena elite. Chegamos ao fim da pré-história, e agora éramos uma civilização 'culta' e estabelecida. Quem escrevia a história assim fazia para que seus interesses fossem preservados. Colocamos um fim no que veio antes, e o mundo, como era, tinha acabado.

   Democracia, surgida na Grécia, nas antigas Polis, a justiça para com o indivíduo. A civilização egípcia e a criação do papel, facilitando a escrita, o império romano, a queda do mesmo, instauração da igreja (e agora, com ela, a noção ocidental de fim do mundo); a determinação da igreja por adotar um bro chamado Jesus como marco zero dos anos, o feudalismo, renascimento (e alguns gênios como Da Vinci que trouxeram um nova luz tecnológica ao mundo), iluminismo...
    Foram tantos fins de mundo, tantas coisas que mudaram TANTO nossa vida e de fato foram fins do mundo como o conhecíamos.

    E aí veio a revolução industrial. E a capacidade do homem de criar. Em massa.
    Tivemos acesso a meios de produção muito mais eficazes, reduzindo trabalhos de 1 mês pra poucas horas. E com isso a necessidade de matéria-prima em grandes quantidades. Alimentado pela nossa vontade incessante de ter mais conforto, mais qualidade, mais dinheiro (que agora já se tornava a força-motriz mais poderosa do mundo, deixando até o lado bélico para trás!), mais e mais e mais e mais.
    E isso espalhou-se pelo mundo. Houve umas tentativas de atenuar a exploração, não permitindo o uso de força de trabalho infantil e reduzindo a carga horária - e assim foi feito. E tudo correu como bem conhecemos, chegando a este cenário onde consumimos 3-4x mais do que o mundo pode nos fornecer, nesta bomba relógio sócio-ambiental.

    Estamos, então, nos dias atuais, onde há tecnologia e informação. Saúde, qualidade de vida, conforto... Tudo como não tínhamos há milhares de anos. Mas vimos alguns traços dessa cultura milenar muito fundos, como pessoas se permitindo explorar, trabalhando muito mais do que deviam, com 2-3 empregos. Ou a democracia agindo de forma falha, bem como era na Grécia antiga (o conceito é lindo, mas não condiz com nossa realidade atual), os feudos continuam existindo (de uma maneira sutil, mas é só olharmos pra multinacionais que derramam os territórios feudais em locais separados, mas seus trabalhadores continuam vivendo por estas empresas e consomem muitos produtos da mesma - vide Unilever), continuamos buscando ter mais e mais, a escrita continua nas mãos de uma pequena parcela da sociedade (já viram como a grande massa sabe ler? Analfabetismo funcional na maior parte da população! E se tomarmos 'escrita' como 'conhecimento+entendimento' isso, de fato, estará nas mãos de pouquíssimos).

    Talvez seja a hora do mundo acabar mesmo. De todas essas correntes de conceitos e preconceitos serem rompidas. De deixarmos essas pesadas algemas de preguiça de lado. De mudarmos nossos conceitos, nossas visões. De entendermos que a busca não deve ser por uma religião definitiva, pelo produto mais moderno, pelo país mais forte e sim pelas pessoas mais felizes, mais saudáveis, de bem consigo mesmas. Entendermos que o poder não é de um governo, mas sim das pessoas, e que o conhecimento trás poder, que o povo junto muda o que quiser. Entendermos que o fim do mundo é decretado por nós, quando quisermos, assim que compreendermos o que realmente queremos, e não mais perseguirmos ideias milenares e obsoletas. Busquemos ser felizes e respeitar os coleguinhas, e o mundo será um lugar melhor, e terá acabado... Como o conhecemos! =]

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

HQ [1]

Dica do dia: quadrinhos são ótimas ferramentas de exposição de ideias!