sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Do ingresso da PM na Unicamp

"Sem vestibular, não"
 -Silva, J.G.C.

    Eu andava no centro de Campinas, meados de 2008, lá pelas 17h, era verão e o dia estava claro. Uma viatura passou, desceram 4 policiais militares, já apontando a arma e "bota a mão na cabeça, dá uma abaixadinha, vai ajoelhando gostoso, e começa a oraçãozinha"; e enquanto cutucava o revólver na minha cabeça, sussurrava: "será que meu dedo vai escorregar?". Isso porque tenho carinha de burguês, imagina o que fazem com a galera de periferia.
    Daí a Unicamp quer abrir as portas pra PM. Alguns dizem: acabou a farra dos maconheiros, Unicamp é lugar de estudo; quem não deve, não teme, etc. *bocejos*
E o Amarildo, o que é mesmo que ele devia?
     E tem gente que não compreende a arma repressora do governo que é essa instituição.
E esse professor? O que ele deve, que tá tomando borrachada da PM? É, PROFESSOR. Quem cuida da educação. LUTANDO por seus direitos foi REPRIMIDO.
     E será que ajuda? Vamos ver como a entrada da PM na USP modificou o cenário: http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2011/11/dados-da-pm-sobre-queda-na-criminalidade-sao-inconclusivos/
Daí a gente analisa os abusos, a truculência policial e as muitas situações de flagrantes forjados por PMs por todo o país. E agora me diz: Se a PM presente na universidade não reduz a criminalidade, POR QUE RAIOS há necessidade da PM?
    Alguns alunos que não tem "cara de universitário", que não vestem o "uniforme" com blusa de marca, que não usam mochila pequena, porque tem um carro pra carregar o material, mora numa república às redondezas das principais portarias do campus... Essas pessoas, que estão na Unicamp pra estudar, estarão sujeitas à truculência policial, afinal de contas, quem não se lembra?:




    A entrada da Polícia Militar, no campus, é uma afronta à liberdade acadêmica. A universidade tem, historicamente, um posicionamento de vanguarda, onde boa parte das ideias não são primariamente aceitas pela sociedade, transmitindo-se conceitos posteriormente, depois de adaptação.
    A presença da PM tem um caráter milicioso, principalmente em locais como a periferia, ambiente "abandonado" pelo Estado, e os moradores dependem do assistencialismo de traficantes (muitas vezes de mãozinhas dadas com deputados por aí...), e a PM faz um serviço de "segurança privada", empoderando-se e quebrando leis para "manter a ordem". Não é este tipo de "ordem" que precisamos na universidade. Não é de PMs que precisamos lá dentro, para que aconteçam coisas DESTE gênero, onde a ironia extrapola o bom senso e o ridículo.
    Os PMs são treinados para agirem de maneira truculenta, e eu não quero que muitos amigos, que nem sempre tem carinha de boy/paty sejam abordados. Eu fiquei traumatizado com uma das abordagens, e isso porque não cheguei a sofrer nenhuma agressão física. Mas amigos já tomaram porrada. E nem sempre foi pouca coisa. E foram perseguidos pela polícia.
    A pergunta que fica é: se nós somos o povo, e estamos lutando pela nossa liberdade, sem desrespeitar nenhuma lei... A PM tá defendendo a quem? Não passam dos cães do governo.
  
    Pecamos
    Pecamos sim, ao não fazer com que a Unicamp seja uma universidade pública. Há um total descaso com o terceiro pé de sustentação da universidade. Pesquisa e ensino são supervalorizados, e a Unicamp forma tecnicistas de altíssima qualidade, fornecendo mais e mais insumos pra sustentar o sistema. E a parte em que a universidade tange à sociedade, por meio da extensão? Onde fica?
    As pessoas só depredam àquilo que não lhes importa, ou não lhes pertence. Como eu disse em postagem anterior, não se vê hospitais ou locais que prestam assistência à população sendo depredado. O que falta, na universidade, é essa proximidade com o povo. E sem o nojinho de ter contato com o povo, como eu vejo muita gente por aí, reclamando que "zé povinho/funkeiro/rapper", entre outros, são perigosos, são marginais. São marginais sim. São marginalizados por você, que não quer conviver no mesmo ambiente. Isso é marginalização, é por de lado alguém! Os alunos precisam lutar pela propagação da Universidade para o povo, só assim, a longo prazo, teremos o retorno e o fim da violência no campus.


    A entrada da PM representa a vontade do reitor de ter às palavras de ordem e repreensão. Além da tirada de corpo da Unicamp, em relação às festas e a falta de comprometimento da gestão da universidade em relação a toda essa criminalidade crescente na região.
    Para complementar, depois do petit aí em cima, sugiro que leiam os textos do link a seguir, que refletem meu pensar:
http://mariliamoscou.com.br/blog/?p=3020

Beijos de luz. Pra quem é contra a entrada da PM.
Pra quem é favorável, espero que seja abordadx pelo menos uma vez, com toda a truculência que eu fui, pq alguns amigos sofreram muito mais, mas daí já é pesado, só a minha abordagem já basta, pra vocês.