Não é de se espantar que eu ainda esteja aqui, já que o mundo não acabou.
Vimos, nesses últimos tempos, como é poderoso o poder de um boato, sobre uma profecia mal-interpretada de um povo cuja cultura está extinta, embora haja indivíduos remanescentes. A história do fim do mundo foi tão intensa que algumas pessoas realmente fugiram dos locais onde vivem, estocaram recursos e tentaram se colocar em locais que acreditavam ser protegidos de quaisquer males que possamos enfrentar.
A crença do fim do mundo é algo recorrente, presente em todas as religiões, comum a todas as populações. É algo tão presente quanto a morte.
Não conseguimos entender o quão orgânica é a sociedade e tornamo-a uma vida como a nossa - que tem que ter um fim. Datamos nossas vidas, estipulamos prazos, colocamos um ponto final em todo dia, semana (e quem não quer o fds?), o mês (pra chegar logo o salário), o ano (e todas as promessas de que seremos melhores no ano seguinte), o século (e as invenções que virão) e os milênios e suas novas eras. O mundo TEM que acabar, em nossa concepção.
E tem mesmo. Mas não to falando sobre catástrofes, apocalipses zumbis, invasão alien, dinossauros com pistolas... ou quem sabe mais o que a galera consegue ver. Falo sobre acabar o mundo, como já acabou N outras vezes.
Rompemos com correntes filosóficas, costumes que julgamos inadequados, modismos, literaturas, governos, entre tantas outras coisas. E renascemos fortes, ou pelo menos mais fortes do que éramos - claro, ao nosso ver. Criamos uma nova barcaça de ideias, esperanças e podres, transmitindo às futuras gerações essa nova gama de objetivos e lugares a serem atingidos. Evoluímos.
Há alguns milhares de anos percebemos e entendemos que haviam quatro estações e aproveitamos isso para que desenvolvêssemos a agricultura, e assim pudemos fixar moradia, ter um local onde ficaríamos todo o tempo. Construímos nossos primeiros LARES, e aí surgiu a propriedade privada. Os primeiros bens duradouros e o mundo, como conhecíamos, acabou.
Passados mais uns tempos, já com a ideia de casa e família desenvolvida, reparamos que nem todas as trocas eram justas e justificadas, então desenvolveu-se um sistema monetário, afim de facilitar as transações de bens. Pedaços de metais, jóias preciosas, tudo era usado nesse escambo pelo que seria necessário.
E veio a escrita. Documentar tudo o que era visto, por nomes nos bois, contar a história (do vencedor). Ferramenta utilizada por quem dominava - tanto é que por muito tempo o conhecimento da escrita se manteve nas mãos de uma pequena elite. Chegamos ao fim da pré-história, e agora éramos uma civilização 'culta' e estabelecida. Quem escrevia a história assim fazia para que seus interesses fossem preservados. Colocamos um fim no que veio antes, e o mundo, como era, tinha acabado.
Democracia, surgida na Grécia, nas antigas Polis, a justiça para com o indivíduo. A civilização egípcia e a criação do papel, facilitando a escrita, o império romano, a queda do mesmo, instauração da igreja (e agora, com ela, a noção ocidental de fim do mundo); a determinação da igreja por adotar um bro chamado Jesus como marco zero dos anos, o feudalismo, renascimento (e alguns gênios como Da Vinci que trouxeram um nova luz tecnológica ao mundo), iluminismo...
Foram tantos fins de mundo, tantas coisas que mudaram TANTO nossa vida e de fato foram fins do mundo como o conhecíamos.
E aí veio a revolução industrial. E a capacidade do homem de criar. Em massa.
Tivemos acesso a meios de produção muito mais eficazes, reduzindo trabalhos de 1 mês pra poucas horas. E com isso a necessidade de matéria-prima em grandes quantidades. Alimentado pela nossa vontade incessante de ter mais conforto, mais qualidade, mais dinheiro (que agora já se tornava a força-motriz mais poderosa do mundo, deixando até o lado bélico para trás!), mais e mais e mais e mais.
E isso espalhou-se pelo mundo. Houve umas tentativas de atenuar a exploração, não permitindo o uso de força de trabalho infantil e reduzindo a carga horária - e assim foi feito. E tudo correu como bem conhecemos, chegando a este cenário onde consumimos 3-4x mais do que o mundo pode nos fornecer, nesta bomba relógio sócio-ambiental.
Estamos, então, nos dias atuais, onde há tecnologia e informação. Saúde, qualidade de vida, conforto... Tudo como não tínhamos há milhares de anos. Mas vimos alguns traços dessa cultura milenar muito fundos, como pessoas se permitindo explorar, trabalhando muito mais do que deviam, com 2-3 empregos. Ou a democracia agindo de forma falha, bem como era na Grécia antiga (o conceito é lindo, mas não condiz com nossa realidade atual), os feudos continuam existindo (de uma maneira sutil, mas é só olharmos pra multinacionais que derramam os territórios feudais em locais separados, mas seus trabalhadores continuam vivendo por estas empresas e consomem muitos produtos da mesma - vide Unilever), continuamos buscando ter mais e mais, a escrita continua nas mãos de uma pequena parcela da sociedade (já viram como a grande massa sabe ler? Analfabetismo funcional na maior parte da população! E se tomarmos 'escrita' como 'conhecimento+entendimento' isso, de fato, estará nas mãos de pouquíssimos).
Talvez seja a hora do mundo acabar mesmo. De todas essas correntes de conceitos e preconceitos serem rompidas. De deixarmos essas pesadas algemas de preguiça de lado. De mudarmos nossos conceitos, nossas visões. De entendermos que a busca não deve ser por uma religião definitiva, pelo produto mais moderno, pelo país mais forte e sim pelas pessoas mais felizes, mais saudáveis, de bem consigo mesmas. Entendermos que o poder não é de um governo, mas sim das pessoas, e que o conhecimento trás poder, que o povo junto muda o que quiser. Entendermos que o fim do mundo é decretado por nós, quando quisermos, assim que compreendermos o que realmente queremos, e não mais perseguirmos ideias milenares e obsoletas. Busquemos ser felizes e respeitar os coleguinhas, e o mundo será um lugar melhor, e terá acabado... Como o conhecemos! =]
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Homofobia
E então a gente se depara com a cena. Dois caras se beijando. A reação de alguns é um repúdio imediato, em forma de transfiguração do rosto, fazendo caretas ou comentários maliciosos. Alguns acusam de não ser de "deus". Alguns não ligam. Alguns zoam. Alguns fingem que não viram, e guardam alguma coisa negativa daquele. É difícil alguém que encare com naturalidade.
Mas uma criança, desde que não tenha sido alienada pelos pais sobre o lado sexual, e que ainda está livre de conceitos, encarará aquilo com naturalidade. Não verá problema algum.
É da preferência da pessoa, de cada indivíduo, o que gosta, ou o que faz entre quatro paredes. Não tem a ver com frescuras, com má-criação. Ou o que falaríamos sobre japoneses que gostam de loiras, ou loiras que gostam de negros (o certo seria preto, mas já falei isso, acho), ou os negros que gostam de ruivas, ou as ruivas que gostam de (...); não importa a preferência. Mas parece haver menos relutância em pessoas que praticam zoofilia aos gays!
Pessoas que "transam" com vegetais, animais, ou bonecas... São tratados com normalidade. Quem se fantasia durante o sexo, também é visto com normalidade. Então QUAL O PROBLEMA DA PESSOA ESTAR COM ALGUÉM DO MESMO SEXO?
Esse repúdio todo data dos gregos que, quando jovens aprendizes, eram forçados a dormir com seus mestres, afim de obter favores, acesso ao conhecimento, melhor treinamento como soldados, entre quaisquer outros favores - e esse ódio foi reprimido e transmitido hereditariamente pelas gerações, implícito, até se manifestar nos dias de hoje.
Não se tem a ver com má índole da pessoa! O que te faz gostar mais de verde do que de branco? Ou de brigadeiro mais que beijinho? Ou de filmes de ação do que suspense?
Você não consegue gostar de alguém do mesmo sexo? Se você é homem, não tem um amigo, a quem abraça, dá tapinhas nas costas, por vezes até no bumbum? Se você é mulher, não tem aquela sua amiga que experimentam roupas no mesmo quarto, confessam segredos?
E você, como homem ou mulher, não consegue distinguir um cara bonito de um cara feio - ou uma mulher gatona de uma mais sem graça? Se não conseguem isso, vocês tem um problema sério de preconceito. É como torcer pro Palmeiras e achar que todos os jogadores do Santos são ruins. É alienação. Todos nós conseguimos.
Do mesmo jeito que você, homem, consegue achar um cara bonito e você, mulher, consegue achar uma mulher bonita, há pessoas que não só acham bonito, como se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo. É preferência - e PONTO!
A homofobia nem sempre está explícita. Muitas vezes está guardada em pequenos atos, sinais meio imperceptíveis, ou tão guardados que nem quem sente percebe. Temos que ter o cuidado, e abrir nossa mente.
Muitos dos gays que conheço são profissionais excelentes, os melhores do setor, ou estudantes excepcionais. Tem que ser os melhores, para serem reconhecidos na sociedade, e não serem "exilados" ou marginalizados.
Não há mal algum em uma união de dois cidadãos homo. Aliás, há algumas vantagens, pois teremos um casal apto a cuidar de crianças que não tinham lar, mais dinheiro no mercado interno, pois teremos mais famílias (mesmo de duas pessoas, é uma família, vai procurar um imóvel, mercado imobiliário e talz), entre N outros fatores que por ignorância e preguiça de pesquisar sobre, paro por aqui.
Então me digam, qual o problema com vocês, homofóbicos? Um hábito milenar que não leva a lugar algum, sem motivo concreto? Isso é inveja? Medo de sentir atração por pessoa do mesmo sexo? Me poupem. Sejam racionais! O mundo precisa evoluir!
=/
Aposto que ninguém consegue mostrar o contrário pra mim. Podem até tentar argumentar, e estou aberto aos debates o/
sexta-feira, 16 de março de 2012
O Brasil e a nova TekPix®
Olá meu escassos leitores! Venho agradecer as 3000 visualizações do blog desde sua origem (Janeiro do ano passado). É bacana ver que o blog tem uma certa movimentação. OK que é pequena - blogs de conteúdo humorístico atingem 10-15 mil visualizações por dia . Mas neste post vou conversar um pouco sobre isso... Mas quer saber? Chega de falar do Estopim, vamos falar da Nova TekPix!!!
Ela é a única filmadora 7 em 1 do mercado (ou pelo menos é o que eles querem que você acredite). Filma em qualidade digital, tira fotos de até 12 MP, grava sons, serve de web cam, função pendrive, mp3 e mp4 player! É tipo um celular que não faz ligação, desses mais modernosos.
O interessante é que ela custa quase mil reais (R$958 e uns quebrados, à vista), e tem gente que compra.
Ela é a única filmadora 7 em 1 do mercado (ou pelo menos é o que eles querem que você acredite). Filma em qualidade digital, tira fotos de até 12 MP, grava sons, serve de web cam, função pendrive, mp3 e mp4 player! É tipo um celular que não faz ligação, desses mais modernosos.
O interessante é que ela custa quase mil reais (R$958 e uns quebrados, à vista), e tem gente que compra.
- A TekPix e a Propaganda
O produto não é exatamente bom. Nem necessário. E é caro. E por que compramos, afinal?
A propaganda foi uma das invenções mais eficazes do homem; já fez e ganhou guerras, já salvou economia de países, já. Um exemplo medonho da força da propaganda, abaixo:
Na cabeça de um adulto já faz estrago. Agora imagina isso sendo apresentado para crianças... Não precisa ser um gênio para perceber que, se em 1943 a propaganda já estava nesse nível, em quase 70 anos ela avançou - e muito - o suficiente para fazer uma senhora "lavagem cerebral" na cabeça de gente grande. E somos impelidos a fazer coisas que não são nem um pouco vantajosas, como comprar uma TekPix. Nada contra, mas nunca conheci um consumidor feliz do produto...
A Propaganda trouxe um novo conceito de vida, junto com o século XX, impulsionada pelo uso de recursos inovadores: o rádio e a televisão.
A televisão, aliás, é um monstro: ocupa nossa visão e audição, que são responsáveis por mais de 3/4 de tudo que, conscientemente, repassamos ao cérebro. Logo, ocupa mais de 75% da nossa cabeça, sobrando pouco para analisarmos a veracidade e a coerência das informações repassadas por este meio. Fica fácil repassar uma mentira assim.
Com essa nova possibilidade e abrangência de recurso de mídia, surgiu um novo conceito...
A Propaganda trouxe um novo conceito de vida, junto com o século XX, impulsionada pelo uso de recursos inovadores: o rádio e a televisão.
A televisão, aliás, é um monstro: ocupa nossa visão e audição, que são responsáveis por mais de 3/4 de tudo que, conscientemente, repassamos ao cérebro. Logo, ocupa mais de 75% da nossa cabeça, sobrando pouco para analisarmos a veracidade e a coerência das informações repassadas por este meio. Fica fácil repassar uma mentira assim.
Com essa nova possibilidade e abrangência de recurso de mídia, surgiu um novo conceito...
- A Cultura de Massa
Podemos dizer que há uma simbiose entre a cultura de massa, a mídia da propaganda e o que isso gerou, chamado de pós-modernidade (no sentido empregado por Stuart Hall e Gilles Lipovetsky, explico mais tarde). Mas tentemos entender como funciona isso, para continuarmos na análise.
A arte diverge em ramos distintos. Parte torna-se elitizada. A outra parte teve um tratamento de globalização e foi instituída de alguma forma, como um padrão mundial, o qual fomos induzidos a seguir como o bom. Trata-se de uma música (ou seriado, ou filme, ou *insira aqui manifestação artística popular*) que é amplamente divulgada pela mídia, ao mundo todo, e vira uma espécie de moda em muitos locais. Vejamos o exemplo sensação do verão 2012, nas suas diversas formas:
a original
inglês
alemão
espanhol
OOOOOOOOOOOOOOOK, paremos por aqui!
Acho que foi um dos primeiros sucessos brasileiros a cair na cultura de massa (também chamada de cultura pop). Houve uma época em que exportávamos bossa nova e MPB, mas isso foi para o ramo elitizado. Apenas pessoas com mais posse têm a oportunidade de frequentar locais que sejam oferecidos outros tipos de música.
E, como todo bom humano, temos preguiça de correr atrás, já que tem um mundo sendo despejado em nosso colo, e acabamos por acatar. O modo com que isso é apresentado para nós faz com que ignoremos totalmente ou parcialmente algumas artes, como o teatro, shows de pequeno porte, artes visuais (das mais antigas, como esculturas, telas), por serem pouco rentáveis ao mercado.
O entretenimento virou uma indústria. E como aprendo na engenharia: uma indústria tem que produzir e fazer o marketing necessário para vender um produto barato, de qualidade duvidosa e ao maior número de pessoas, para obter o maior lucro. Basta seguir esta fórmula para chegarmos a este ponto. Temos artistas que tem potencial para fazer músicas decentes, nada triviais, mas são impelidos pelo mercado a fazer o lixo artístico, para ganhar dinheiro (é como aquela conversa de Sócrates e Polemarco, em "A República", de Platão, sobre o bom profissional e sua definição, há milhares de anos, e o dinheiro corrompendo a galera desde lá...). O interessante é ver como esse tipo de arte é recursiva e metalinguística: ela fala sobre si mesma, e diz como ela é boa, e como ela faz as pessoas felizes!!! Acompanhada de uma dose de globalização, afinal, party rock é legal em qualquer canto do mundo. (Cada música/filme Vejamos:
(UAU! Legal ser Party Rock, não? Prontos para dançar e serem legais?)
Caímos então no conceito da cultura pop, ou cultura de massa, onde há um certo movimento contra-artístico, que é o principal induzidor de um novo estado da sociedade, proposto por S. Hall e G. Lipovetsky, que eu citei acima, chamado...
- A Pós-modernidade
Minha suposição, que espero que considerem após ler esta explanação, do real estado dos Estados ocidentais ou ocidentalizados. Induzidos pela mídia geral, trata-se de um movimento de vários setores. Temos produtos (como a nova TekPix), músicas (tipo Michel Teló, só que de todos os cantos do mundo), programas de televisão mostrando como viver nessa sociedade é bom e como podemos nos encaixar.
De um modo bem grosso posso dizer que enxergo na nossa sociedade algo próximo às castas indianas: nós nos tornamos, por conta, classes. Fizemos uma rotulação espontânea entre as camadas sociais aliadas às etnias e escolaridade (algo assim: se vemos um branco feio e pobre, é um coitado; um preto feio e pobre - normal, remete às origens da nossa sociedade, onde pretos eram escravos; se é branco e rico, normal; se é preto e rico, deve ser muito bom no que faz - já que os brancos não precisam ser tão bons assim, pelo jeito, ou por serem naturalmente bons ou porque a sociedade dá todas as condições para um branco emergir...). Quem é pobre, será pobre, já que não tem como sair da favela. Quem é rico, vai mostrar que é rico, roubar os pobres na cara dura - eles não percebem, ou se percebem estão tão acomodados que não irão lutar.
Esse comodismo é dado pelos conceitos de valores de uma sociedade pós-modernista, onde a globalização diminui as culturais regionais, usando da Cultura de Massa para sustentar essa visão de mundo. Supondo que estamos alienados e nossa mentalidade está focada no que dão para a gente, fica fácil redigir todo um novo código de ética/moral, dando novas enfases para velhos conhecidos. Podemos dizer, dentro do conceito de pós-modernidade que temos como prioridades a ética hedonista (cultura de venerar o prazer imediatista, a total ausência de dor e o bem estar para o maior número de pessoas possível - lembrando que o conceito de bem-estar individual e grupal foi MANIPULADO pela cultura de massa, logo, você percebe que quem tá na lama não quer sair dela por puro comodismo - logo, tem seu bem-estar garantido), o individualismo (para evitar a união dos indivíduos, trabalha-se com o lado individual, mostrando que ser um indivíduo único é muito bom. Acontece que desunidos, ninguém lutará pela melhora de sua condição; além de exacerbar o egoísmo), o consumismo (vamos comprar produtos desnecessários para que tenhamos bem-estar; vamos comprar este MEIO DE VIDA) e a fragmentação do tempo e espaço, demarcando bem as horas, forçando-nos a seguir o tempo e fragmentando nosso espaço, onde cada casa é uma e única... só para dificultar ainda mais o agrupamento de pessoas que pensem fora disso.
Copiarei um trecho de um artigo interessante:
"Em "A
Identidade cultural na Pós-Modernidade", Stuart Hall (2003) busca avaliar se estaria ocorrendo uma
crise com a identidade cultural, em que consistiria tal crise e qual seria a
direção da mesma na pós-modernidade. Para efetivar tal intento, analisa o
processo de fragmentação do indivíduo moderno enfatizando o surgimento de novas
identidades, sujeitas agora ao plano da história, da política, da representação
e da diferença. A preocupação de Hall também se volta para o modo como haveria
se alterado a percepção de como seria concebida a identidade cultural. Todos
esses aspectos constituem-se como fases de um procedimento analítico que
intenta descrever o processo de deslocamento das estruturas tradicionais
ocorrido nas sociedades modernas e pós-modernas, assim como o descentramento
dos quadros de referências que ligavam o indivíduo ao seu mundo social e
cultural. Tais mudanças teriam sido ocasionadas, na contemporaneidade,
principalmente, pelo processo de globalização.
A globalização alteraria as noções de tempo e
de espaço, desalojaria o sistema social e as estruturas fixas e possibilitaria
o surgimento de uma pluralização dos centros de exercício do poder. Quanto ao
descentramento dos sistemas de referências, Hall considera seus efeitos nas
identidades modernas, enfatizando as identidades nacionais, observando o que
gerou, quais as formas e quais as consequências da crise dos paradigmas do
final do século XX.
Desde a década de 1980, desenvolve-se um processo de construção de uma cultura em nível
global. Não apenas a cultura de massa, já desenvolvida e
consolidada desde meados doséculo XX, mas um
verdadeiro sistema-mundo cultural que acompanha o sistema-mundo
político-econômico resultante da globalização.
A Pós-Modernidade, que é o aspecto cultural
da sociedade pós-industrial, inscreve-se neste contexto como
conjunto de valores que norteiam a produção cultural subsequente. Entre estes,
a multiplicidade, a fragmentação, a desreferencialização e a entropia - que,
com a aceitação de todos os estilos e estéticas, pretende a inclusão de todas
as culturas como mercados consumidores. No modelo pós-industrial de produção,
que privilegia serviços e informação sobre a produção material, a Comunicação e a Indústria Cultural ganham papéis fundamentais na difusão
de valores e idéias do novo sistema. ".
Ou seja...
Estamos vivendo em uma época onde fomos forçados, pela indução da propaganda, a nos marginalizar da sociedade e sermos conduzidos como marionetes, embora nos seja transmitida a noção de individual e de bem estar. Acreditamos que estamos vivendo na liberdade quando estamos presos a um conceito surreal de felicidade.
Por vezes temos atitudes das quais não nos orgulhamos, mas somos postos a prova pela sociedade para que façamos. Pessoas, para serem diferentes, ou demonstrarem ferrenhamente sua personalidade, se tatuam, colocam piercings, mutilam o próprio corpo - e chamam isso de bem-estar (nada contra, é até bonito na maior parte dos casos, salvo casos exagerados).
E se estamos felizes, porque vamos lutar pela mudança? Não se trata só de uma questão social. Em todos os ramos da sociedade nos acomodamos. Somos consumistas sem noção do social, sem noção política! Mudaram tanto nossas raízes que perdemos toda nossa memória sócio-política! Não temos mais bases, referências! Como podemos lutar desarmados de nosso senso? Não só do bom senso, mas com o senso comum, nosso principal canhão, virado para as estrelas (as Hollywoodianas, geralmente...) ??? Alguns buscam refúgios em grupos, mas não percebem que estão sendo manipulados pelos mesmos crápulas que se dizem diferentes (NÉ DCE?... Como uma sigla de 3 letras que não usa mais do que o intervalo entre a 3ª e a 5ª letra do alfabeto pode ser um grupo tão estúpido, formado por pessoas tão inteligentes?)
Tá insatisfeito(a)? Então vem comigo, que a gente vai mudar um pouco isso, bem devagarzinho, mas vamos nos ajudar para sair dessa alienação doida do mundo =P
Sei que to devendo uma continuação da batata e os cinco macacos. Uma hora arregaço as mangas e parto pra frente. Por enquanto falta incentivo. As pessoas pararam de ler e discutir sobre os assuntos, eu desanimei. E nenhum dos colaboradores está na ativa, o que dificulta as coisas... Vamos ser um pouco mais ativos, galerê???
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Novo contribuinte
Boa noite.
Meu nome é Filipe Rocha. 31 anos, formado e pós-graduado na área de Letras. Rock'n'roller convicto, adepto do PUNK rock e afins (mas sem mediocridade, meu gosto musical é bem amplo). Sou guitarrista do SLOWNAGY (www.myspace.com/slownagy) e baixista do SUPERDRIVE (http://www.myspace.com/superdriveband). Dou aulas de Inglês, faço traduções (precisando...). Também já me meti a organizar eventos de bandas underground. Curti horrores, mas tive que parar por motivos financeiros.
Venho contribuir para o blog do meu amigo Otávio como pensador e questionador. Gosto de trocar idéias e de me expressar, acho que precisamos disso.
Agradeço muito o convite de Otávio, já chego mandando um abraço a todos os envolvidos com o o blog.
E que se acenda o estopim!!
Meu nome é Filipe Rocha. 31 anos, formado e pós-graduado na área de Letras. Rock'n'roller convicto, adepto do PUNK rock e afins (mas sem mediocridade, meu gosto musical é bem amplo). Sou guitarrista do SLOWNAGY (www.myspace.com/slownagy) e baixista do SUPERDRIVE (http://www.myspace.com/superdriveband). Dou aulas de Inglês, faço traduções (precisando...). Também já me meti a organizar eventos de bandas underground. Curti horrores, mas tive que parar por motivos financeiros.
Venho contribuir para o blog do meu amigo Otávio como pensador e questionador. Gosto de trocar idéias e de me expressar, acho que precisamos disso.
Agradeço muito o convite de Otávio, já chego mandando um abraço a todos os envolvidos com o o blog.
E que se acenda o estopim!!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Da batata... aos 5 macacos (parte IV)
Acho que vou fechar esta "trilogia da batata de 4 partes" neste tópico.
Queridos leitores... Eu iria agradecer pelas 2000 visualizações totais (desde a criação do Estopim), no começo de fevereiro, mas mal pude notar quando ultrapassamos esta marca, e também passamos as 2500 visualizações. Antes que chegue às 3000, vim dar o ar da graça! Demorei para voltar a escrever, mas assim o farei pois parece que a galera deu uma acalmada.
Gostaria de agradecer pela assiduidade/constância nos acessos, me deixa muito contente! =D
Ah, e vou adotar o sistema do Giuliano de separar em tópicos para facilitar visualização!
5 Macos + Batata
Vou começar contando uma história para vocês.
Provavelmente já tenham ouvido este conto, seja com banana ou com batata doce, mas é assim:
'Cientistas fizeram um experimento, onde colocaram 5 macacos em um recinto. No centro deste recinto, havia uma escada/plataforma que os macacos poderiam chegar no topo, onde havia uma batata doce. Assim que um macaco pegasse a batata, era disparado um jato de água muito forte nos macacos que estavam embaixo.
Isso repetiu-se por 3 ou 4 vezes, até que, quando um macaco tentava subir na escada, os outros quatro desciam porrada nele, e puxavam para baixo.
Terminada esta etapa de "educação" dos primatas, substituíram um macaco, que tentou nem tentou subir e foi coibido pelos demais. E desistiu na primeira tentativa.
E o segundo a ser substituído, sequer tentou escalar as escadas, bem como o terceiro, quarto e quinto. Quando todos macacos foram substituídos, nenhum deles escalava a escada, e a batata doce ficou lá; eles queriam a batata, mas por motivo qualquer eles não iam atrás. E nenhum deles viu um jato de água, estavam ali por estarem.'
Esta é nossa realidade.
Desmentindo o mito:
Esta história é só uma lenda urbana, ora contada como 5, ora como 8 macacos. Entendam como quiser.
Mas é um mito. Alguns dizem que foram cientistas ingleses, outros, japoneses.
Na verdade, é uma citação de dois escritores ocidentais, Watson e Keyes, que são Gurus "New Age". Elayne Myers, que não sei quem é, mas lendo os artigos presentes nos volumes 2,3 e 6 do Centro de Estudos de Macacos do Japão, disse que o fenômeno não seria sustentado pelos primatas.
Posteriormente, ao ser analisado a fundo, o fenômeno foi pesquisado pela "Sociedade Céticos" (Skeptic Society), onde, sob uso de literatura adequada do filósofo Ron Amudson, e apoio de vários biólogos, demonstrou que o mito seria possível, se aplicado a uma população de mais de cem macacos.
Ok, e?
Acontece que a adaptação não seria tão rápida, levaria anos, e substituição dos macacos velhos por novos, assim que os velhos morressem. Os macacos velhos insistiam em subir na escada, não se importando em apanhar, enquanto os novos aprendiam com os mais velhos que apanhariam, por observação. Seria um efeito bem mais 'mundano', com características quase humanas. Mas aconteceria. Embora não da forma prevista.
E o que eu e você temos a ver com isso?
De verdade? Nós somos os macacos.
E não, não estou falando do cunho evolutivo, de onde erroneamente dizem que viemos do macaco. Não viemos do macaco! Temos um ancestral em comum!!! Tem uma GRANDE diferença, mas não vou explicar de genética nesta postagem, fica pra próxima!
Somos os macacos, e nos tornamos alienados a uma realidade, a uma condição imposta.
Um exemplo prático?
O que fazem quando vêem um morador de rua? Que tipo de apoio prestam? Não financeiro, até porque não é disso que precisam. Quantos aqui tem alguma atitude em prol dos moradores de rua?
Recentemente, Vitor Suarez Cunha, 21 anos (rapaz, desculpe por vincular seu nome aqui. Aceito reclamações posteriores), para quem não sabe, foi o rapaz que foi espancado, no Rio de Janeiro, após pedir para que cinco jovens parassem de bater em um morador de rua.
O interessante é que ele não considerou o ato como heroico, e disse que faria de novo. Ele é um macaco diferente de nós, que estamos alienados. E ele apanhou por isso. Apanhou tanto que colocaram 63 pinos no rosto dele. E mais, disse que faria tudo de novo.
Ok, foi um exemplo LITERAL do assunto. O cara é sim meu herói, e se eu encontrar ele na minha frente eu sentiria vergonha de ser o que sou, com pessoas como ele por aí.
Mas onde quero chegar?
Somos alienados por condições impostas há muito tempo. Repetimos jargões ditos em outras eras (afinal, as eras andam mudando com uma grande constância neste ritmo acelerado que estamos atirados). Refazemos o que sabemos que é errado, continuamos com atitudes prejudiciais a nós mesmos a ao meio ambiente e ao coleguinha.
Acenamos positivamente com a cabeça quando vemos um bandido sendo morto, ou quando um grupo de sem-tetos é expulso de uma região. Ou quando vemos um filme qualquer, feito por um grupo de pessoas que usa de esteriótipos para manipular do que gostamos ou não.
E esse é o real problema. Nos deixamos manipular. Como a Bárbara disse, em texto anterior, a mídia nos manipula. As propagandas nos manipulam. Mesmo os livros (quanto mais comercial, mais manipulador, generalizando).
Nos adequamos a nos adequar ao que os grandes querem. E como Robert Happé disse uma vez: nós não gostamos disso, as empresas, nossos chefes, nossos professores também não gostam; ninguém gosta - mas continuamos assim, e sofremos! E continuamos a sofrer, mesmo sabendo que estamos errados!
Por que não há a quebra deste paradigma? Para quem não sabe, 'paradigma' é um padrão a ser seguido, um modelo concebido, cientificamente, filosoficamente.
Nós permitimos que houvesse essa matriz pela qual passamos. Temos nossa cabeça condicionada a sobreviver neste meio.
De fato, não vou encerrar este assunto aqui, deixo aberto para discussões e ideias que me ajudem a concluir o tema. Assim que discutirem o suficiente, coloco a segunda parte.
Mas dou uma lição de casa para vocês, que explico no próximo tópico que colocar aqui: CONVERSEM com um morador de rua. Se não têm esse apetite todo, converse com algum vizinho que você nunca conversou. Procurem saber a história dessa pessoa, experimentem conhecer um indivíduo que não partilha das mesmas ideias que você, e me contem como foi.
Com carinho,
Vud o/
Queridos leitores... Eu iria agradecer pelas 2000 visualizações totais (desde a criação do Estopim), no começo de fevereiro, mas mal pude notar quando ultrapassamos esta marca, e também passamos as 2500 visualizações. Antes que chegue às 3000, vim dar o ar da graça! Demorei para voltar a escrever, mas assim o farei pois parece que a galera deu uma acalmada.
Gostaria de agradecer pela assiduidade/constância nos acessos, me deixa muito contente! =D
Ah, e vou adotar o sistema do Giuliano de separar em tópicos para facilitar visualização!
5 Macos + Batata
Vou começar contando uma história para vocês.
Provavelmente já tenham ouvido este conto, seja com banana ou com batata doce, mas é assim:
'Cientistas fizeram um experimento, onde colocaram 5 macacos em um recinto. No centro deste recinto, havia uma escada/plataforma que os macacos poderiam chegar no topo, onde havia uma batata doce. Assim que um macaco pegasse a batata, era disparado um jato de água muito forte nos macacos que estavam embaixo.
Isso repetiu-se por 3 ou 4 vezes, até que, quando um macaco tentava subir na escada, os outros quatro desciam porrada nele, e puxavam para baixo.
Terminada esta etapa de "educação" dos primatas, substituíram um macaco, que tentou nem tentou subir e foi coibido pelos demais. E desistiu na primeira tentativa.
E o segundo a ser substituído, sequer tentou escalar as escadas, bem como o terceiro, quarto e quinto. Quando todos macacos foram substituídos, nenhum deles escalava a escada, e a batata doce ficou lá; eles queriam a batata, mas por motivo qualquer eles não iam atrás. E nenhum deles viu um jato de água, estavam ali por estarem.'
Esta é nossa realidade.
Desmentindo o mito:
Esta história é só uma lenda urbana, ora contada como 5, ora como 8 macacos. Entendam como quiser.
Mas é um mito. Alguns dizem que foram cientistas ingleses, outros, japoneses.
Na verdade, é uma citação de dois escritores ocidentais, Watson e Keyes, que são Gurus "New Age". Elayne Myers, que não sei quem é, mas lendo os artigos presentes nos volumes 2,3 e 6 do Centro de Estudos de Macacos do Japão, disse que o fenômeno não seria sustentado pelos primatas.
Posteriormente, ao ser analisado a fundo, o fenômeno foi pesquisado pela "Sociedade Céticos" (Skeptic Society), onde, sob uso de literatura adequada do filósofo Ron Amudson, e apoio de vários biólogos, demonstrou que o mito seria possível, se aplicado a uma população de mais de cem macacos.
Ok, e?
Acontece que a adaptação não seria tão rápida, levaria anos, e substituição dos macacos velhos por novos, assim que os velhos morressem. Os macacos velhos insistiam em subir na escada, não se importando em apanhar, enquanto os novos aprendiam com os mais velhos que apanhariam, por observação. Seria um efeito bem mais 'mundano', com características quase humanas. Mas aconteceria. Embora não da forma prevista.
E o que eu e você temos a ver com isso?
De verdade? Nós somos os macacos.
E não, não estou falando do cunho evolutivo, de onde erroneamente dizem que viemos do macaco. Não viemos do macaco! Temos um ancestral em comum!!! Tem uma GRANDE diferença, mas não vou explicar de genética nesta postagem, fica pra próxima!
Somos os macacos, e nos tornamos alienados a uma realidade, a uma condição imposta.
Um exemplo prático?
O que fazem quando vêem um morador de rua? Que tipo de apoio prestam? Não financeiro, até porque não é disso que precisam. Quantos aqui tem alguma atitude em prol dos moradores de rua?
Recentemente, Vitor Suarez Cunha, 21 anos (rapaz, desculpe por vincular seu nome aqui. Aceito reclamações posteriores), para quem não sabe, foi o rapaz que foi espancado, no Rio de Janeiro, após pedir para que cinco jovens parassem de bater em um morador de rua.
O interessante é que ele não considerou o ato como heroico, e disse que faria de novo. Ele é um macaco diferente de nós, que estamos alienados. E ele apanhou por isso. Apanhou tanto que colocaram 63 pinos no rosto dele. E mais, disse que faria tudo de novo.
Ok, foi um exemplo LITERAL do assunto. O cara é sim meu herói, e se eu encontrar ele na minha frente eu sentiria vergonha de ser o que sou, com pessoas como ele por aí.
Mas onde quero chegar?
Somos alienados por condições impostas há muito tempo. Repetimos jargões ditos em outras eras (afinal, as eras andam mudando com uma grande constância neste ritmo acelerado que estamos atirados). Refazemos o que sabemos que é errado, continuamos com atitudes prejudiciais a nós mesmos a ao meio ambiente e ao coleguinha.
Acenamos positivamente com a cabeça quando vemos um bandido sendo morto, ou quando um grupo de sem-tetos é expulso de uma região. Ou quando vemos um filme qualquer, feito por um grupo de pessoas que usa de esteriótipos para manipular do que gostamos ou não.
E esse é o real problema. Nos deixamos manipular. Como a Bárbara disse, em texto anterior, a mídia nos manipula. As propagandas nos manipulam. Mesmo os livros (quanto mais comercial, mais manipulador, generalizando).
Nos adequamos a nos adequar ao que os grandes querem. E como Robert Happé disse uma vez: nós não gostamos disso, as empresas, nossos chefes, nossos professores também não gostam; ninguém gosta - mas continuamos assim, e sofremos! E continuamos a sofrer, mesmo sabendo que estamos errados!
Por que não há a quebra deste paradigma? Para quem não sabe, 'paradigma' é um padrão a ser seguido, um modelo concebido, cientificamente, filosoficamente.
Nós permitimos que houvesse essa matriz pela qual passamos. Temos nossa cabeça condicionada a sobreviver neste meio.
De fato, não vou encerrar este assunto aqui, deixo aberto para discussões e ideias que me ajudem a concluir o tema. Assim que discutirem o suficiente, coloco a segunda parte.
Mas dou uma lição de casa para vocês, que explico no próximo tópico que colocar aqui: CONVERSEM com um morador de rua. Se não têm esse apetite todo, converse com algum vizinho que você nunca conversou. Procurem saber a história dessa pessoa, experimentem conhecer um indivíduo que não partilha das mesmas ideias que você, e me contem como foi.
Com carinho,
Vud o/
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O Google e suas políticas (parte 3)
Estamos, desde anteontem, dando uma espiadinha nas mudanças de
políticas do Google, que vão entrar em vigor em março deste ano. Vimos como a política
de privacidade é tanto sobre a segurança dos dados quanto que dados são
capturados, bem como a forma que o Google usa esses dados. Mas, além disso, nós
aceitamos usar os serviços de acordo com algumas regrinhas, que são descritas nos...
TERMOS DE USO
Esse é mais tranquilo. É o
contrato que você aceita ao criar sua conta no Google, e também,
implicitamente, ao usar os serviços disponíveis. Fala sobre a proteção de
direitos autorais, sobre o Google poder usar informações de uso suas para
melhorar os serviços (e as propagandas, of
course), privacidade (referencia a política anterior) e de quem é a
responsabilidade sobre vários assuntos.
Por exemplo: a empresa vai
tentar, de todas as formas, se proteger de danos causados por usuários, mas se
o usuário estiver usando tudo corretamente, não evitará de sofrer penalizações
por danos causados ao usuário, de acordo com os direitos do consumidor do país
do usuário, inclusive.
Sobre responsabilidade: não
garantem nada. Como boa parte do
conteúdo exibido pela Google não é de sua autoria, ela tira o dela da reta como
puder, não garantindo nada além de tentar manter o serviço de pé, já que
acredita ser sua responsabilidade com o usuário, desde que ela ofereceu o
serviço.
Aliás, por falar em garantias,
existe a citada, que é a garantia de qualidade, e tem também garantia de
segurança de informação e de acesso aos dados de um serviço a qualquer momento,
em especial se este acabar por ser encerrado ou descontinuado.
Existe uma parte, de onde vem a
maior parte das críticas, que existe desde sempre e que continua neste
contrato. Eu vou colar ela inteira para que seja bem transparente a visão do que
é dito lá:
“Quando você faz upload ou de algum modo envia conteúdo a nossos Serviços, você concede ao Google (e àqueles com quem trabalhamos) uma licença mundial para usar, hospedar, armazenar, reproduzir, modificar, criar obras derivadas (como aquelas resultantes de traduções, adaptações ou outras alterações que fazemos para que seu conteúdo funcione melhor com nossos Serviços), comunicar, publicar, executar e exibir publicamente e distribuir tal conteúdo. Os direitos que você concede nesta licença são para os fins restritos de operação, promoção e melhoria de nossos Serviços e de desenvolver novos Serviços. Essa licença perdura mesmo que você deixe de usar nossos Serviços (por exemplo, uma listagem de empresa que você adicionou ao Google Maps). Alguns Serviços podem oferecer-lhe modos de acessar e remover conteúdos que foram fornecidos para aquele Serviço.”
Por isso lembre-se sempre: você passou por lá e disse “TL;DR”, então seja cuidadoso ao vender a sua alma, porque você só tem uma xD.
E, com isso, minhas últimas palavras...
INFERÊNCIA
Ato ou efeito de inferir, do
latim, inferre: deduzir por meio do
raciocínio, tirar por conclusão ou consequência. Esta é a palavra que define o
que empresas como a Google e o Facebook fazem com a informação que lhe é
disponibilizada, de bom grado, por nós, em troca de seus serviços gratuitos (ou
quase), dos quais tanto gostamos ou precisamos.
Na computação, inferência sobre
dados é uma ferramenta poderosa, com a qual, eu tendo seu nome, sua idade, seu
parentesco, local de trabalho, fotos marcadas com os amigos que você sai, os
locais para os quais gosta de ir, os assuntos de que mais posta (digo, fala),
onde estuda/estudou, com quem se relaciona, o que busca na Internet, em quais
anúncios clica, quais vídeos assiste, o que escreve em seus documentos, como
está sua agenda para amanhã, quais são seus e-mails (você já até esqueceu do que
eu estava falando, né xD), enfim, se eu tiver todas essas informações, a tal
inferência pode me dizer mais sobre você do que você mesmo pensa, ainda que
jamais alguém escreva sua biografia.
Just connect the dots ;D
Footnotes
Para quem está a fim de ler as novas políticas,
elas estão completas e acompanhadas de um resuminho (e de suas versões
anteriores) em http://www.google.com.br/intl/pt-BR/policies/privacy/. Eu recomendo altamente a leitura, já que lá você pode encontrar informação muito clara e objetiva, de uma forma que, por brevidade, eu não usei aqui. Boa leitura :-)
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