quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Da batata... aos 5 macacos (parte IV)

Acho que vou fechar esta "trilogia da batata de 4 partes" neste tópico.

Queridos leitores... Eu iria agradecer pelas 2000 visualizações totais (desde a criação do Estopim), no começo de fevereiro, mas mal pude notar quando ultrapassamos esta marca, e também passamos as 2500 visualizações. Antes que chegue às 3000, vim dar o ar da graça! Demorei para voltar a escrever, mas assim o farei pois parece que a galera deu uma acalmada.
Gostaria de agradecer pela assiduidade/constância nos acessos, me deixa muito contente! =D
Ah, e vou adotar o sistema do Giuliano de separar em tópicos para facilitar visualização!

5 Macos + Batata
Vou começar contando uma história para vocês.
Provavelmente já tenham ouvido este conto, seja com banana ou com batata doce, mas é assim:

'Cientistas fizeram um experimento, onde colocaram 5 macacos em um recinto. No centro deste recinto, havia uma escada/plataforma que os macacos poderiam chegar no topo, onde havia uma batata doce. Assim que um macaco pegasse a batata, era disparado um jato de água muito forte nos macacos que estavam embaixo.

Isso repetiu-se por 3 ou 4 vezes, até que, quando um macaco tentava subir na escada, os outros quatro desciam porrada nele, e puxavam para baixo.

Terminada esta etapa de "educação" dos primatas, substituíram um macaco, que tentou nem tentou subir e foi coibido pelos demais. E desistiu na primeira tentativa.

E o segundo a ser substituído, sequer tentou escalar as escadas, bem como o terceiro, quarto e quinto. Quando todos macacos foram substituídos, nenhum deles escalava a escada, e a batata doce ficou lá; eles queriam a batata, mas por motivo qualquer eles não iam atrás. E nenhum deles viu um jato de água, estavam ali por estarem.'

Esta é nossa realidade.


Desmentindo o mito:
Esta história é só uma lenda urbana, ora contada como 5, ora como 8 macacos. Entendam como quiser.
Mas é um mito. Alguns dizem que foram cientistas ingleses, outros, japoneses.
Na verdade, é uma citação de dois escritores ocidentais, Watson e Keyes, que são Gurus "New Age". Elayne Myers, que não sei quem é, mas lendo os artigos presentes nos volumes 2,3 e 6 do Centro de Estudos de Macacos do Japão, disse que o fenômeno não seria sustentado pelos primatas.

Posteriormente, ao ser analisado a fundo, o fenômeno foi pesquisado pela "Sociedade Céticos" (Skeptic Society), onde, sob uso de literatura adequada do filósofo Ron Amudson, e apoio de vários biólogos, demonstrou que o mito seria possível, se aplicado a uma população de mais de cem macacos.

Ok, e?
Acontece que a adaptação não seria tão rápida, levaria anos, e substituição dos macacos velhos por novos, assim que os velhos morressem. Os macacos velhos insistiam em subir na escada, não se importando em apanhar, enquanto os novos aprendiam com os mais velhos que apanhariam, por observação. Seria um efeito bem mais 'mundano', com características quase humanas. Mas aconteceria. Embora não da forma prevista.

E o que eu e você temos a ver com isso?

De verdade? Nós somos os macacos.
E não, não estou falando do cunho evolutivo, de onde erroneamente dizem que viemos do macaco. Não viemos do macaco! Temos um ancestral em comum!!! Tem uma GRANDE diferença, mas não vou explicar de genética nesta postagem, fica pra próxima!

Somos os macacos, e nos tornamos alienados a uma realidade, a uma condição imposta.

Um exemplo prático?
O que fazem quando vêem um morador de rua? Que tipo de apoio prestam? Não financeiro, até porque não é disso que precisam. Quantos aqui tem alguma atitude em prol dos moradores de rua?
Recentemente, Vitor Suarez Cunha, 21 anos (rapaz, desculpe por vincular seu nome aqui. Aceito reclamações posteriores), para quem não sabe, foi o rapaz que foi espancado, no Rio de Janeiro, após pedir para que cinco jovens parassem de bater em um morador de rua.
O interessante é que ele não considerou o ato como heroico, e disse que faria de novo. Ele é um macaco diferente de nós, que estamos alienados. E ele apanhou por isso. Apanhou tanto que colocaram 63 pinos no rosto dele. E mais, disse que faria tudo de novo.

Ok, foi um exemplo LITERAL do assunto. O cara é sim meu herói, e se eu encontrar ele na minha frente eu sentiria vergonha de ser o que sou, com pessoas como ele por aí.
Mas onde quero chegar?

Somos alienados por condições impostas há muito tempo. Repetimos jargões ditos em outras eras (afinal, as eras andam mudando com uma grande constância neste ritmo acelerado que estamos atirados). Refazemos o que sabemos que é errado, continuamos com atitudes prejudiciais a nós mesmos a ao meio ambiente e ao coleguinha.

Acenamos positivamente com a cabeça quando vemos um bandido sendo morto, ou quando um grupo de sem-tetos é expulso de uma região. Ou quando vemos um filme qualquer, feito por um grupo de pessoas que usa de esteriótipos para manipular do que gostamos ou não.
E esse é o real problema. Nos deixamos manipular. Como a Bárbara disse, em texto anterior, a mídia nos manipula. As propagandas nos manipulam. Mesmo os livros (quanto mais comercial, mais manipulador, generalizando).

Nos adequamos a nos adequar ao que os grandes querem. E como Robert Happé disse uma vez: nós não gostamos disso, as empresas, nossos chefes, nossos professores também não gostam; ninguém gosta - mas continuamos assim, e sofremos! E continuamos a sofrer, mesmo sabendo que estamos errados!

Por que não há a quebra deste paradigma? Para quem não sabe, 'paradigma' é um padrão a ser seguido, um modelo concebido, cientificamente, filosoficamente.

Nós permitimos que houvesse essa matriz pela qual passamos. Temos nossa cabeça condicionada a sobreviver neste meio.

De fato, não vou encerrar este assunto aqui, deixo aberto para discussões e ideias que me ajudem a concluir  o tema. Assim que discutirem o suficiente, coloco a segunda parte.

Mas dou uma lição de casa para vocês, que explico no próximo tópico que colocar aqui: CONVERSEM com um morador de rua. Se não têm esse apetite todo, converse com algum vizinho que você nunca conversou. Procurem saber a história dessa pessoa, experimentem conhecer um indivíduo que não partilha das mesmas ideias que você, e me contem como foi.

Com carinho,
Vud o/