sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Um passado um Futuro e um Presente na pá de um trator nas mãos de um governo assassino.

No dia 02-02 em São José dos Campos onde ocorreu o Ato  em apoio aos moradores que foram desalojados no Pinheirinho. Dois ônibus saíram da Unicamp levando estudantes e doações, essas que foram entregues em mãos aos desalojados. Antes de irmos para o alojamento e depois do ato que o ocorreu, com, chuto eu, mais de cinco mil pessoas, passamos tristes e amargurados 15 minutos sobre os escombros de onde ficava uma das maiores ocupações urbana da America Latina, e agora não passa de  muito entulho caído no chão, e no meio de tijolos, pedras e concreto, encontra-se um sentimento de revolta materializados em objetos deixados para trás, cadernos, brinquedos, moveis comprados com muito trabalho e roupas, com uma marca famosa estampada, era nada mais nada menos que um uniforme do Mc Donald, deixando claro que quem deixou aquilo lá,  são trabalhadores e trabalhadoras, que com seus baixos salários não poderiam de forma alguma manter uma família de forma digna e ainda pagar os altíssimos alugueis para especuladores imobiliários, mostrando pra quem quisesse ver, quase escrito naquelas ruínas, “Aqui morava a família de  um(a) trabalhador (a)”, diferente de como muitos pessoas reproduzem o que querem os poderosos, que naquele lugar só tinha bandido e aproveitador que queria terra de graça. Saindo das ruínas fomos até um dos “alojamentos”, se é que assim pode ser chamado, onde esta uma parcela dos moradores expulsos de suas casas, e lá encontramos todos em condições desumanas, das quais eu e outro companheiro, do rompendo amarras que fotografava  o dia, nos sentimos mal de registrar,  e assim nem ligamos nossas câmeras. Uma frase colocada em uma das barraquinhas de lona montada em um ginásio de esporte, apoiada onde deveria ser um banco de reservas, onde no momento em que chegamos estava sentada uma criança de uns 13 anos, chamou minha atenção com a seguinte descrição “ Rua da esperança. Sem número, sem teto”. Pois é essa a política dos nossos governantes vigentes. No caminho para casa, passamos novamente ao lado de pinheirinhos, e seguimos estrada, sem demora, quando já findava os escombros da barbárie , surgiu uma portaria luxuosa, e logo atrás dela algumas dezenas de mansões. Indignação, tristeza, e vergonha de ser brasileiro isso que eu, e creio que todos nós que tivemos essa experiência, sentimos. Mas toda essa indignação se refletiu em nossas palavras de ordem que entoamos durante todo o dia, às vezes com um sorriso no rosto, mas um sorriso por encontrar mais pessoas que estão do lado na nossa luta, que hoje foi por Pinheirinho, mas que sem dúvida é uma guerra longa contra todas as formas de exploração de um sistema capitalista. . Se for provado que esse governo não é assassino de pessoas, é no mínimo um exterminador de sonhos.