No dia 02-02 em São José dos
Campos onde ocorreu o Ato em apoio aos
moradores que foram desalojados no Pinheirinho. Dois ônibus saíram da Unicamp levando
estudantes e doações, essas que foram entregues em mãos aos desalojados. Antes
de irmos para o alojamento e depois do ato que o ocorreu, com, chuto eu, mais
de cinco mil pessoas, passamos tristes e amargurados 15 minutos sobre os
escombros de onde ficava uma das maiores ocupações urbana da America Latina, e
agora não passa de muito entulho caído no
chão, e no meio de tijolos, pedras e concreto, encontra-se um sentimento de
revolta materializados em objetos deixados para trás, cadernos, brinquedos,
moveis comprados com muito trabalho e roupas, com uma marca famosa estampada,
era nada mais nada menos que um uniforme do Mc Donald, deixando claro que quem
deixou aquilo lá, são trabalhadores e
trabalhadoras, que com seus baixos salários não poderiam de forma alguma manter
uma família de forma digna e ainda pagar os altíssimos alugueis para
especuladores imobiliários, mostrando pra quem quisesse ver, quase escrito
naquelas ruínas, “Aqui morava a família de um(a) trabalhador (a)”, diferente de como
muitos pessoas reproduzem o que querem os poderosos, que naquele lugar só tinha
bandido e aproveitador que queria terra de graça. Saindo das ruínas fomos até
um dos “alojamentos”, se é que assim pode ser chamado, onde esta uma parcela
dos moradores expulsos de suas casas, e lá encontramos todos em condições
desumanas, das quais eu e outro companheiro, do rompendo amarras que fotografava o dia, nos sentimos mal de registrar, e assim nem ligamos nossas câmeras. Uma frase
colocada em uma das barraquinhas de lona montada em um ginásio de esporte,
apoiada onde deveria ser um banco de reservas, onde no momento em que chegamos
estava sentada uma criança de uns 13 anos, chamou minha atenção com a seguinte
descrição “ Rua da esperança. Sem número, sem teto”. Pois é essa a política dos
nossos governantes vigentes. No caminho para casa, passamos novamente ao lado
de pinheirinhos, e seguimos estrada, sem demora, quando já findava os escombros
da barbárie , surgiu uma portaria luxuosa, e logo atrás dela algumas dezenas de
mansões. Indignação, tristeza, e vergonha de ser brasileiro isso que eu, e creio
que todos nós que tivemos essa experiência, sentimos. Mas toda essa indignação
se refletiu em nossas palavras de ordem que entoamos durante todo o dia, às
vezes com um sorriso no rosto, mas um sorriso por encontrar mais pessoas que
estão do lado na nossa luta, que hoje foi por Pinheirinho, mas que sem dúvida é uma guerra longa contra todas as formas de exploração de um sistema
capitalista. . Se for provado que esse governo não
é assassino de pessoas, é no mínimo um exterminador de sonhos.


