segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Da Batata a... Parte II: S. José dos Campos

Boas noites escassos leitores (que um dia espero que sejam muitos, e agradeceria se pudessem participar mais ativamente do blog, escrevendo textos - só pedirem para serem co-autores que eu adiciono vocês como escritores e podem postar sempre que quiserem - ou comentando...)!
Como não posso fugir dos modismos, hoje vou falar sobre algo relevante, mas comecemos dissertando sobre a batata...



A batata teve seu cultivo iniciado há mais de 8 mil anos, como visto em sítios arqueológicos nos Andes, onde já era notado vestígio de plantações do tubérculo.
Teve seu cultivo iniciado junto, praticamente, com o início da sociedade, com o desenvolvimento da agricultura e nossa evolução, nos tornando Homo sapiens, logo, merece seu respeito.


Seu cultivo foi altamente difundido quando os europeus vieram, através das grandes navegações, fim do século XV, começo do séc. XVI, e cometeram o genocídio com os indígenas nativos. Tiraram a casa deles, de maneira desregrada, fizeram uma desocupação a mando de um governo que não era presente na região, depois de declarar o território como propriedade dos reinos europeus...
Deixando a desocupação dos nativos de lado...


A batata, então, foi levada para o território europeu, onde se adequou muito bem ao clima. Antes de continuar, só fazer o adendo: existem milhares de tipos de batatas (mais de 3000 espécies!!!), mas são poucas as difundidas, e majoritariamente a "mona lisa", de casca lisa e formato oval/arredondado.
Se tornou um cultivar importantíssimo para alguns países como a Rússia, ou Irlanda, onde a população "meio que" venera a batata, e tem este tubérculo como principal alimento, comendo batata diariamente.

Mas... o que a batatinha: tem a ver com isso? (Crédito da foto para Michelle Gonçalves da Costa =D)



Ao ponto:


Para quem tá preocupado com assuntos gerais, ligados a mídia, ou a programas fúteis como o BBB (casa bonita aquela... gostaria de morar num local daqueles! Haha), vou direcionar o assunto para o caos que está ocorrendo em São José dos Campos - SP, na comunidade conhecida como Pinheirinho.


Não que o assunto dos projetos estadunidenses SOPA e PIPA não mereçam destaque, mas estão arquivados, então conversaremos mais a frente sobre isso.


Bem, para começo de conversa... O QUE ESTÁ ACONTECENDO POR LÁ? 
A polícia está realizando uma reintegração de posse, ou seja, tirando os moradores 'ilegais' que estavam residindo no local.






Quem é o dono da terra?
Aí reside a primeira polêmica. Oficialmente a terra, avaliada em 84 milhões de reais, era de uma empresa chamada SELECTA S/A, uma Sociedade Anônima (ou seja, uma empresa onde há um sócio majoritário divulgado e outros sócios que ninguém precisa saber quem é), que faliu. O proprietário desta empresa (sócio majoritário) era o senhor Naji Robert Nahas, um libanês naturalizado brasileiro.


 Naji Nahas foi considerado responsável pela quebra na bolsa do Rio de Janeiro, em 89 (sim, época que muitos dos leitores ainda não eram nascidos, na época da inflação, quando o Plano Real estava em desenvolvimento, ou nem pensado era). De acordo com a revista Veja, o brother pegava empréstimos nos bancos, aplicava em ações na bolsa, por meio de laranjas. A especulação valorizou demais as ações, e os bancos não foram capazes de comportar a inflação, pararam de realizar empréstimos a ele, e começou a quebra em cascata das organizações financeiras, foi julgado e absolvido (citei isso só para termos uma noção do caráter da pessoa).


Também foi preso em 2008, pela Polícia Federal, na operação Satiagraha, que combatia a corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de verbas públicas. Mais detalhes ficam a cargo de vocês, leitores. Há informações valiosas em vários sites, da biografia deste moço. Até mesmo na wikipedia, de onde tirei estas informações (vamos aproveitar enquanto o FBI não tira wikipedia do ar, acabou de cair 4shared aqui o/)


Este terreno, entretanto, pertencia ao grupo Selecta, que teve sua falência declarada. Possivelmente uma fazenda onde cultivavam seus produtos.


Acontece que a empresa faliu e ficou devendo dinheiro para o banco. Encerra-se este capítulo.
Então, um grupo de pessoas, que não receberam apoio do governo, tomaram a terra. Para entender melhor: a terra já não podia ser da Selecta em si, e sim do banco governamental, meio de pagamento das dívidas.
Pense: você é um sem terra e sem teto, e tem uma área livre, sem dono. Torna-se um território livre. Todos ocuparam ali e tiveram sua moradia decretada.


Há 8 anos residiam ali. Cerca de 9 mil pessoas.
Agora muitos acusam do local ser uma área marginalizada, com alto índice de criminalidade, onde a polícia não conseguia entrar. FOCO NESTA ÚLTIMA FRASE.



Ok, a terra é de uma empresa falida, que venderia a terra para o governo (municipal, estadual e federal). Então que diabos, de fato, está acontecendo?

Houve um pedido de reintegração de posse, por parte da massa falida da Selecta. Ou seja, os falidos proprietários mandaram tirar a galera que morava lá, há muito tempo. Mas nada foi feito até então, quando o pedido, talvez tenha sido refeito, ou sinceramente acredito [fim da imparcialidade, momentaneamente] em alguma propina que possa ter rolado nos bastidores[volta da "imparcialidade"].

Os moradores estavam contentes com seus lares quando um contingente de 1800 policiais (isso dá 20% da população do local), foi expulsar a população de lá, no dias 17/18 (janeiro, 2012). Acontece que há um pequeno problema: houve um acordo a nível FEDERAL (dia 17) que cessou a reintegração de posse por 15 dias, e uma decisão ESTADUAL que cessou a cessão da reintegração. Mais ou menos assim: presidenta mandou esperar um tempo antes de continuar a expulsão, o governador mandou a presidenta calar a boca e mandou continuar a expulsão.

Não que as figuras máximas tenham agido, mas trata-se de um desacato Estadual ao governo Federal.

O prazo de 15 dias seria suficiente para debater a reintegração de posse a outro nível, transferindo o terreno para os governos municipal, estadual e federal, terminando parte da dívida da falida Selecta S/A. A população poderia ter seu terreno legalizado, mas houve manobra política para evitar essa possibilidade.
Foi um erro grave de desacato à maior hierarquia. Ao meu ver, leigo, claro.

Não bastando esse grande problema, podemos ver que a desocupação ocorreu de maneira violenta:


E como aconteceu a seguir:


e

e


Zé Maria e Eduardo Suplicy participando ativamente deste protesto, buscando ajudar a população.

A questão não é se era um acampamento violento - ou se o bairro é violento. É a luta pelo direito civil. Eles estão sendo expulsos de lá. Como os índios plantadores de batatas dos Andes foram expulsos e humilhados.
Então os sem teto e sem terra que plantavam batatas como fonte de alimentação não vão ter onde plantar. Nem onde morar. E por que? Porque a corrupção regional travou a negociação. Porque um cara que já deu muito trabalho pro país quer desalojar as pessoas que moram lá.

Se não tivesse arriscado como está, eu gostaria de ir lá apoiar. Mas não tenho essa capacidade toda, por isso vim contar para vocês o que acontece. Talvez fiquemos conscientes e possamos ajudar. Não posso parar o que acontece lá, porque se ficar o bicho pega e se correr o bicho come. Mas se ficarmos juntos, o bicho foge. Então força, nós devemos defender nossos direitos de cidadão.

Hoje não somos nós os agredidos diretamente, mas este ato não foi de autoridade, e sim de autoritarismo. Não podemos deixar isso acontecer, ou isso pode se expandir mais e mais.

Divulguem e, se eu estiver errado, por favor, me corrijam. Estou longe, não consigo obter muitas informações. Agradeço ao camarada Nicanor pelo apoio das novidades.

Bem, espero que ninguém vá fritar batatas depois dessa.



Atualizando:

A partir de 7h30 da manhã, na Record, imagens do que aconteceu e está acontecendo; se possível, assistam.
Senhora de 78 anos tem casa bombardeada por granadas de efeito moral.
Mais 10 feridos.
Tiros para todos os lados, com armas não letais da PM.
Governador disse que reintegração de posse foi pacífica, tentando ocultar todo o problema.

E fica esta matéria: http://www.viomundo.com.br/denuncias/deputados-denunciam-manobra-de-ma-fe-do-governador-alckmin.html

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Ótimo, agora a rede Record de Televisão está fazendo marketing negativo da população do Pinheirinho! São 8h50 da manhã e voltaram as imagens em novo noticiário...

Estão agressivos? Lógico! Estão atirando neles! Há táticas de guerrilha por parte da polícia, como puderam ver! Não deixemos esta mídia televisiva adulterar o foco!

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Vamos entender porque a ordem Federal não foi acatada:
O STJ disse que era competência Estadual. Decisão do SUPREMO. Agora me diz que não há incoerência?!?!
Insisto em papelão nos bastidores...
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Mais uma, agora a decisão judicial:
http://www.tjsp.jus.br/Handlers/FileFetch.ashx?id_arquivo=36638
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Passeata em São José dos Campos anunciada. Parece que vai ocorrer uma passeata violenta no local. Isso é complicado, perdem a razão =(
Programada para esta tarde (23/01/2012), os comerciantes já começaram a fechar as lojas para evitar ainda mais depredação.


Mais tarde tem mais.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Da batata a... Introdução (parte I)

Caros e escassos leitores.

Descobri que não tenho criatividade para escrever, e falta-me maturidade. Minhas postagens são demasiadamente longas e sacais.

Então vou tentar usar de um artifício comum: escrever por partes, como alguns amigos já sugeriram.

Farei uma série de postagens sobre...

BATATA!!!
afinal, todo mundo ama batata!


E, claro, colocarei fotos de batatas ao longo das postagens. De preferência, as divertidas.

E por que batata? Bem, Kartoffel (como os alemães a chamam) é um alimento mundial, e tornou-se mundial muito antes de existir o termo globalização. Papa (como é chamada pelos nossos co-continentais latinos) é de cultivo fácil, se adéqua a praticamente qualquer clima. Barabolha (Ucrânia), Pityoka (Hungria), Aardappel ( Holanda), Pomme de Terre (França) ou Potato (a "globalização" do nome...) teve uma produção em 2008 de mais de 18.190.000 TONELADAS. São mais de 18 bilhões de quilos de batata; que além de ser usada pura, na alimentação, é fonte de infindas matérias primas. 

É um mercado de muita influência no mundo, e todos amam batata. Por isso quero falar sobre batatas.

A próxima postagem será sobre a origem da batata, seguindo pra sua dispersão pelo mundo, a importância que adquiriu em alguns países (e sobre a formação dos países, que este tubérculo presenciou), terminando na atual situação da batata mundial, a economia agrícola, etc.

Não prometo quando sai, porque estou sem vontade de escrever. Mas aceito dicas de todo mundo, informações, curiosidades e até receitas.

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012



Sei que está meio tarde para desejar feliz ano novo, mas preferi fazer por aqui que vai se conservar por mais tempo, assim poderei ler sempre, para que não me esqueça do que falarei!

E chegou o famigerado ano de 2012, onde algum maia vagabundo que não queria continuar a escrever um calendário parou e pensou: "Pô, meu! 2012 tá longe pra ca*$%*@! Vou parar de escrever essa P0&&4 e vou lá curtir o ritual de sacrifício que estou perdendo!".

Ou o início da era de aquário. Ou o alinhamento deste e daquele planeta. Ou a chega de raios cósmicos que influenciarão um ou outro aspecto de vida. Ou a mudança da inclinação do eixo terciário da Terra.

Tudo isso só nos mostra uma coisa: estamos gritando por renovação. Queremos achar em eventos aleatórios e arbitrários um motivo para que possamos levar as coisas para frente. Para que possamos mudar, sem ter a vergonha de dizer que é porque estamos insatisfeitos com a coisa toda do jeito que está!

Gritamos pela liberdade de sermos felizes, não reparando que isso só depende de nós. De nós negarmos alguns valores que a sociedade impôs artificialmente.

Não tenhamos medo de mostrar que gostamos do próximo. Nem que o dinheiro não é a coisa mais importante. Nem que o valor da pessoa não é medido pela quantidade de grana que ela tem. Nem que não gostamos do sujeito por isso ou aquilo - vamos contar isso para a pessoa de maneira cordial, tentando buscar a paz! É melhor um colega do que um inimigo!!!

E porque não dar as mãos, e levar as coisas pra frente, sem hesitar, preocupando-se em como os outros te enxergarão! Afinal, os outros também querem o mesmo que nós!

O que digo é para pararmos de levar a vida como máquinas, como os outros querem, e sermos mais nós mesmos, atendermos mais as nossas vontades; mas sempre evitando que o ego infle demais, para não cairmos em fulano-centrismos e magoando os outros!


Espero que 2012 realmente seja o fim do mundo. O fim do mundo como nós conhecemos, e o início de um novo modo de viver.

Beijos e abraços. Que tenham um 2012 fenomenal, seus lindos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Educação III: Entrevista com Educadora

Boa noite escassos leitores do meu blog!

Hoje vou fazer uma coisa um pouco diferente do padrão. Não vou criticar ninguém, não vou falar mal, nem fazer fofoca. Vou fazer uma entrevista. Se vocês gostaram de Entrevista com vampiro, vão gostar dessa também.

Vou entrevistar uma pessoa ligada à educação há muito, MUITO tempo. Abaixo, a transcrição das perguntas e respostas, na íntegra:

[eu]: Há quantos anos você está ligada à educação?

[educadora]: Desde 1981, isso dá três décadas.

[eu]: Como começou?

[educadora]: Para me sustentar na faculdade. Dava aulas no Anglo de Bauru, professora de biologia nas frentes de genética e citologia.

[eu]: E onde trabalha agora?

[educadora]: Escola Estadual Ângelo Campo Dall'Orto - Sumaré -SP; comecei bem e me fodi legal! Sou professora de ciências, matemática e biologia.

[eu]: Há quanto tempo dá aulas nesta escola?

[educadora]: 23 anos

[eu]: E como foi parar nesta escola?

[educadora]: Designação da Diretoria de Ensino, me efetivando em 1991 por concurso público.

[eu]: Está satisfeita com seu cargo? Por que?

[educadora]: Em termos; as condições são precárias, apesar de todo investimento do governo, porque a estrutura social está falida, e o modelo escolar também.

[eu]: Explique melhor esses dois aspectos, por favor.

[educadora]: A escola, historicamente, não era feita para todos. Hoje, todo indivíduo TEM que estar na escola, mesmo que não queira - por uma questão legal. Se antes as pessoas estavam na escola para estudar, hoje estão por obrigação - é bem diferente o querer do ser obrigado.
Nós temos diversos meios de aquisição de conhecimento, atualmente, e a escola não consegue administrar todo o conhecimento e transferi-lo, daí uma necessidade de mudança do conceito ou dos padrões de uma escola. Hoje ela (escola) serve como um meio onde se tenta fazer a inclusão social, que na realidade não acontece.
As escolas particulares são uma terceirização da educação que os pais não dão; então morreram o bom senso, a responsabilidade da família, a responsabilidade social dos governantes e isso precisa mudar.
A escola tem que servir de pólo para que o indivíduo possa encontrar os caminhos para adquirir o conhecimento, e não como mero reprodutor do conhecimento, o que a torna defasada e inoperante


[eu]: Você disse sobre inclusão social. Em que aspecto? De deficientes? De diferentes realidades?

[educadora]: De culturas diferentes, tradições diferentes, na maioria da classe baixa, como engodo, querendo mostrar que eles poderão, através de uma escola, que não atende às suas necessidades, possa ascender socialmente.



[eu]: Ensinando a ciência, há quais tipos de empecilho ao ensino?

[educadora]: Puta! São tantos! Em primeiro lugar a ignorância do discente sobre a necessidade do aprendizado, que é comum à todas as disciplinas; segundo lugar, colegas mal-preparados. Terceiro: a desvalorização do professor. A falta de ambiente físico adequado, número muito grande de alunos por sala de aula, falta da presença dos pais e da comunidade, e a falta de pré-requisitos dos alunos, provocados por demandas sociais, tornando a situação ensino-aprendizagem impotente.



[eu]: Como sente que a sociedade encara o professor, hoje em dia, visto que outrora era tomado como uma profissão muito respeitada, agora tão pouco?

[educadora]: Infelizmente, como uma boa parte dos professores realmente é; um indivíduo com baixa-auto-estima, péssima formação e desmotivado, com medo de mudanças.
Isso não foi gerado pelos professores, mas pela própria sociedade que ao longo dos anos deixou de honrar aquilo que a formou, por questões históricas, econômicas, políticas e sociais. Mas há ainda uma resistência, dentro do próprio professorado que luta e acredita em uma mudança, inclusive se dispondo a fazer apesar de todos.



[eu] E como o professor vê a sociedade?

[educadora] Como um filho que renega suas raízes. E tomba ante a estrutura social, exatamente por não ter alicerce onde se fixar.



[eu]: Quais as diferenças mais marcantes entre o ensino público e o privado? E como isso se estende às universidades?

[educadora]: Bom, o valor dado ao conhecimento, pela família. No caso das escolas particulares, a grande maioria exige que seus filhos, além de serem educados socialmente (o que os pais deveriam fazer), seja suprido de todos os conhecimentos, independente da sua vontade. Na escola pública, a função delegada pela comunidade é a de 'cuidadora'/'protetora', onde os pais não sabem para onde ir, nem como educar seus filhos, então pedem socorro, muitas vezes acusando à escola pelos que eles não conseguiram fazer, por falta de estrutura (psicológica, social, econômica). Sendo generalista nos dois casos.
Ao final, infelizmente, aqueles que passaram por escolas particulares, e foram obrigados a engolir o conhecimento, entram em universidades e começam a demonstrar o desrespeito às demais camadas sociais, situando-se como os detentores do saber e do "tudo pode", enquanto os alunos da rede pública ou já desistiram (em sua maioria), e vão para sub-empregos ou despertam e tentam fazer uma universidade particular trabalhando e estudando, com muita dificuldade.


[eu]: Qual sua opinião sobre esse aumento do número de faculdades, na grande maioria particulares?

[educadora]: Tem um lado péssimo, que é a má qualidade de ensino, porém é uma das únicas formas que algumas pessoas tem de ascender socialmente.





[eu]: Quais são suas expectativas para os próximos, vamos dizer, 5-10 anos?

[educadora]: Com certeza a educação passará por uma grande mudança. Não creio que a tão curto prazo, mas já começa a se delinear alguns novos caminhos, com o uso de tecnologias novas e com um relacionamento diferente entre gestores, professores e alunos, onde quero crer que se fará uma equidade - cada um compartilhando o que tem. Quanto tempo vai demorar isso? Só por *insira a divindade*. Eu também nunca acreditei que o governo militar seria derrubado, ou que um operário chegasse ao poder no país, ou ainda que pagássemos a dívida do FMI. Claro, nosso país é ainda um país corrupto, historicamente, e isso não muda do dia para a noite, mas as mudanças ocorridas nos últimos 30 anos me dá um alento e esperança de mudanças futuras.



[eu]: Se pudesse reformular todo o contexto social acerca da educação, como acha que deveria ser feito?

[educadora]: Da forma que eu acredito que deverá ser no futuro. O professor apenas como um indicador de caminhos, compartilhando conhecimento com seus alunos e vice-versa. Para isso, teríamos que derrubar o sistema escolar vigente.

[eu]: Muito obrigado, boa noite.



Bem, essas foram as palavras da minha mãe, que nasceu 1960, e a ditadura foi vida, não história. Lutou contra ela, correu risco de ser apanhada, era participante do diretório acadêmico da faculdade e participava de reuniões do partido liberdade e luta, partido Trotskista (LIBELU), na década de 80. Fazia parte do movimento estudantil e sempre esteve muito ligada a causas sociais, desde que me entendo por gente. Amada por seus alunos e servindo como uma lâmpada (e não como uma lanterna que só aponta um rumo).

Viram as expectativas de minha mamãe? É bom que me ajudem nisso, senão vocês vão ver!!! :D

Se quiserem mais perguntas, podem fazer que eu encaminho para minha mãe e respondo em próximas postagens!

Boa noite, feliz 2012.

Ouviram quais as expectativas





segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sou cúmplice de uma série de assassinatos.

Boa noite meus escassos leitores, se ainda há alguém por aqui.

Peço desculpas pela demora para aparecer por aqui, mas - se leem isso aqui é porque são meus amigos (acho que o público se limita a meus amigos mesmo, que leem por dó :D ) - estive ocupado trabalhando e semestre da graduação, mas agora chegaram as férias \o/

Ficou longo e ruim, mas espero que leiam.

Vim aqui confessar que sou cúmplice de um homicídio. Talvez de mais de um. E de maus tratos a animais, e assassinato de animais. E desmatamento, genocídio de alguns povos. Como isso? Todos aqui me conhecem, certo? Sabem como vivo, até porque conto demais as coisas. A resposta é: sendo quem eu sou.

Eu estudo em uma universidade pública, desfruto de seus benefícios. Consumo energia elétrica, como alimentos industrializados, tenho uma geladeira em casa, uso computador... São algumas coisas comuns. E como eu me tornei cúmplice? Fácil. Tomei ciência do que ocorre à minha volta. Me tornei cúmplice dessa sociedade que mata.

Vamos começar a chutar o balde então, e falar o que eu quero mesmo.

POXA VIDA, gente! Matam o pobre Yorkshire! À porradas!! Que dó. ¬¬
Mas o que difere a coisinha "pululenta" do Yorkshire daquele vira latas que foi enterrado vivo, por 12h? Será que ele não morreu também? E do outro cachorrinho que teve sua cabeça ensacada com sacola do supermercado e foi arrastado por 500m? Outro que está quase morto. Mas machucar um cachorro bonitinho causa comoção, matar cachorro feio "não fez nada demais, já estava sarnento, magro, não ia conseguir viver direito mesmo - assim para de sofrer" (de verdade, espero que não existam pessoas com esse raciocínio).

É uma lógica similar ao que acontece com pessoas... Morreu o pedreiro José, esfaqueado depois de sair do banco com seu pagamento. Morre e deixa 3 filhos com menos de 10 anos e esposa; "ninguém mandou ter tanto filho" ou "ah, que pena"; e amanhã ninguém lembra mais do caso, vira estatística. Agora morre o garoto rico, que reagiu durante o assalto e pronto! Vai para o Fantástico; surgem dezenas de revistas e jornais trazendo a tona a violência no país e fazem protestos com o rosto do rapaz estampado em camisetas. Pior ainda se o morto fosse o pai. "Morre depois de reagir assalto o empresário José; deixa 2 filhos, uma menina de 14 e um universitário de 19 anos". Nem preciso citar a repercussão. Ou preciso lembrar o escândalo que foi o roubo do Rolex de Luciano Huck?

Mas isso são casos isolados. Vamos a generalidade.
As pessoas morrem, é natural. O problema é como elas morrem. Pode ser morte natural, morte matada, morte por doença - assim como os bichinhos (e vou insistir nos animaizinhos, porque parece que as pessoas se importam mais com animais do que com outras pessoas, então - se é dessas pessoas, use os próximos argumentos pensando num yorkshire sofrendo as circunstâncias). Existe, em nosso país, algo relativamente raro no mundo - o SUS, Sistema Único de Saúde, que oferece atendimentos e tratamentos gratuitos a qualquer cidadão do país, claro, a custo de muita espera. Muitos morrem antes de começarem o tratamento, ou antes de serem atendidos. E sabe uma coisa ainda mais assustadora? Essa demora e a má qualidade do atendimento pode piorar, e muito. Já ouviram falar da DRU? Desvinculação de Receitas da União. O dinheiro dos contribuintes arrecadado pelo Estado tem o nome de Receita da União.

O que significa o D dessa joça? O que é essa tal desvinculação? Antigamente, na época que provavelmente você leitor não se entendia por gente direito, até a genial implementação do Plano Real, a inflação comia solta aqui no país, e era mais tranquilo liquidar dívidas internas. E mais inflação nos leva a menos juros. É uma balança. Agora os juros estão altos e a inflação caiu, assim como no começo do plano Real. Acontece que houve uma proposta, em 2000, para que as verbas fossem distribuídas de acordo com o proposto. Esse acordo morre agora em dezembro de 2011, junto com o ano. 20% da verba total do país pode ser realocada da maneira que bem entenderem. Não sou alguém que entende de leis, mas me parece ligeiramente anticonstitucional pegar milhões e mais milhões de reais e tirar da saúde e da educação, por exemplo, para construção de estádios ou aplicar naquele projeto que parece meio torto de construir uma rodovia, ou de enviar remédios caros para regiões onde a incidência da doença é mínima e a quantidade do medicamento é exorbitante - e olha que acaba nem chegando a carga!

Mas tem gente preocupada com o aumento do salário dos vereadores de Campinas, que vão ganhar uns 15 mil por mês. Não gerará ônus ao município, pois a verba tá sendo deduzida de seus gabinetes. Na prática a mudança é zero, mas a galera se sente ofendida com tal aumento. Eu também fico puto de pessoas tão pouco preparadas e mal educadas (não de grosseria, mas sim de pouca noção cultural) ganharem tão bem, enquanto eu me mato estudando e trabalhando para ganhar menos de mil reais por mês, mas as pessoas tiveram tempo de se mobilizar antes do projeto ir à votação, mas aguardaram e partiram pro alarde. É melhor que nada, mas dá pra melhorar.

É bacana pensar nisso, né? É como entregar o dinheiro para nossos representantes usarem como quiserem. E é lógico que alguns setores essenciais sairão prejudicados. O SUS terá menos verbas. Mais gente vai morrer. Mas que diferença faz, não é cachorro mesmo. Quem usa o SUS é só pobre, só mendigo, não é mesmo? Tenho nojo se pensa assim. Certa vez meu pai foi atropelado, teve os ossos do braço direito moídos, e foi muito bem atendido pelo SUS. Um médico fez um trabalho incrível, mesmo com poucos recursos, e evitou que ele tivesse que fazer cirurgia para colocar pinos de platina. E eu não sou mendigo, tenho onde morar e o que comer.

Também, quando acontecem acidentes graves, os melhores hospitais para urgências e emergências são atendidos pelo SUS, e quem já teve que passar por situações difíceis, ou familiares, sabe a importância do SUS, tenho certeza.

E vamos falar sobre o novo código florestal, que vai permitir a criação de muitas áreas de agropecuária? Desmatamento comendo solto. Mas isso é ecochatíce, como Belo Monte, e tem uma galera aí que não se importa muito. Pode-se melhorar e muito a agropecuária do país, utilizando muito menos espaço, dando mais área ao verde - só com o aprimoramento da tecnologia, que depende da melhoria da pesquisa; mas isso a gente conversa mais para frente.

Outras áreas que podem ser prejudicadas:
Esportes: os esportistas brasileiros já quase não recebem apoio do país, tem dificuldade para obter recursos para treinamento, materiais para o esporte, local para treino, treinadores; são privados de participar de competições por não terem dinheiro para viagens, e a verba destinada aos esportes, que já era mínima, ficou ainda mais escassa com o fim do apoio financeiro às ONGs que davam patrocínio aos atletas, por conta de corrupção de um brother ou outro aí. Imagina se a verba foi ainda mais reduzida... As olimpíadas em 2016 não vão ter atletas brasileiros. Aí a coisa fica tensa, né? Mas não importa acabar com o sonho de pessoas que seriam capazes de trazer orgulho pela nação.
Educação: Já repararam no nível do ensino brasileiro? Preciso citar as taxas de analfabetismo? Ahhhh elas reduziram nos últimos anos - se você considerar uma pessoa alfabetizada àquela que sabe escrever o próprio nome. Analfabetos funcionais são maioria. E uma pessoa analfabeta fica relativamente privada de obter acesso à cultura. País vizinho, a Argentina, tem algo em torno de 30x mais bibliotecas que aqui, em números absolutos, com uma população BEM menor que a nossa. Seria bacana ter brasileiro cada vez menos educados, né? ¬¬
Projetos sociais: vai, critica mesmo o bolsa família, chama de bolsa esmola. Critica o fato do dinheiro ser distribuído desta maneira. Mas preciso lembrar que foi esse dinheiro injetado nas camadas mais pobres da população que aqueceu a economia, aumentando o consumo interno e prejudicando o Brasil a sobreviver à última crise financeira com pouco estrago? Olha o resultado da última crise, refletindo agora, na Europa, que estão prestes a abandonar o Euro e dar fim numa das maiores evoluções da economia mundial recente. Além de ajudar algumas famílias a ter comida à mesa, famílias que com certeza comiam menos que alguns yorkshires por aí.
Só para trazer uma noção bem superficial do que pode vir a acontecer, isso sem embrenhar em economia porque eu não saberia dissertar a respeito com destreza.

Mas, como disse Mahatma Gandhi: "A grandeza de uma nação pode ser vista pelo modo com que seus animais são tratados". Acho que é bem conveniente dizer isso agora. Talvez alguns se achem engajados por estarem preocupados com a morte do cachorrinho lá. A verdade é que não estão. Só demonstraram revolta porque viram a um vídeo chocante; funcionam assim: viram algo que os choca, alguém deu um grito 'bonito', pareceu 'justo' na política do olho por olho, dente por dente e PRONTO! Escândalo armado. E o pior: disseminam o tal vídeo. No meu mundo, violência costuma disseminar mais violência, mas se acham que isso é conscientizar... Sem falar nas postagens no orkut-book que o facebook virou, dizendo para matar a mulher. Ela já está condenada à justiça. Mas se querem ser mais soberanos que a justiça nacional, boa sorte.
E começam a parecer uma grande e boba massa de manobra. Se revoltaram com a conduta da mulher? O mínimo que deviam fazer era manifestar a própria opinião. Transmitir aos outros suas verdades e seu ponto de vista, não uma corrente que para mim não tem sentido algum.

Mas já é um bom começo, ver que as pessoas podem se manifestar para alguma coisa, em grupo. É o início de um movimento social. Mas ainda falta abrir os olhos.

O que esse país precisa, esse mundo, são cidadãos conscientes, por si sós. Assim que nós nos tornemos cidadãos de fato, os crimes serão sensivelmente reduzidos e nossos representantes serão idôneos. Utopia onde problemas tendem a zero.

E como começar esse processo de "cidadanização"? Devem, as pessoas que vêem mais longe, mostrar aos outros o caminho. Agir não como um farol que aponta apenas um rumo, mas sim como uma lâmpada, posta no teto, que ilumina em todas as direções.

E para agradar à galera católica, evangélica, ou de qualquer religião que use a bíblia (peço desculpas a meus amigos Mórmons, Budistas, Hindus, Islâmicos, Judeus - já que o texto que extrairei é do novo testamento): Peguem aí e abram em Marcos, cap. 11: é a passagem onde o Brother vai seeeeco numa figueira cheia de folhas, toda frondosa e quando vai caçar um figo, para comer, vê que só há folhas. Então o Brother, decerto irritado, diz que ninguém mais comerá figo daquela figueira, e ela seca. Quanto olho gordo e quanta zica! Mas, peço perdão aos ateus pela pregação, o importante é a lógica por trás disso: para quem não sabe, uma figueira quando dá muita folha e não dá fruto, está prestes a morrer.

Não to aqui para ser essa figueira, com o perdão da metáfora. Não quero só falar bonito.

Proponho que, se alguém concorda ou discorda de mim, demonstre sua opinião. Pode ser por aqui, pode ser pelo meu facebook ( http://www.facebook.com/Voudzz ), ou pelo meu msn (voodoo_magus@hotmail.com) e exponha sua opinião.
Quero que as pessoas que iluminem apareçam por aqui, quero propor um encontro 'filosófico', regado à diversão, para que possamos nos confrontar ou nos apoiar, para que possamos deixar de ser cúmplices de tanta violência com pessoas. E animais. E a natureza. E Yorkshires.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A Globalização

Queridos leitores...
De volta a escrever estou; percebi que não houve muito interesse em minha abordagem sobre educação, e acho que os tópicos estão demasiadamente grandes, então mudarei o enfoque e a maneira de dispor meus pensamentos aqui. Tratarei de maneira mais sucinta, abreviando os textos ou escrevendo-os em partes pequenas.

Hoje gostaria de tocar em um assunto que muitos já tem críticas prontas, e provavelmente seguem a mesma linha de raciocínio. Vamos conversar sobre globalização.

Pra começo de conversa anexarei um vídeo-clip de uma banda que poucas pessoas gostam; é uma ótima síntese sobre meu pensar. Vejam:

   Primeiramente, vamos tentar entender como aconteceu a globalização...(Sucintamente, Otávio... SUCINTAMENTE, OK?):

  O surgimento de um esboço da globalização pode ter vindo com os gregos, que por onde passavam, instituiam sua cultura, porém permitiam a cultura local de continuar viva, só inseriam alguns valores, de maneira a tornar possível governar todo o império que se expandia.

  Esse domínio tornou-se dificultado, conforme a população tinha acesso à conhecimento, principalmente pós-iluminismo e sua abertura ao saber. Com a imprensa, mais uma vez, o conhecimento pôde ser espalhado. Mas ao mesmo tempo, foi uma faca de dois gumes, já que algumas idéias, como a eugenia, passaram a ser amplamente divulgadas. A questão é: o desenvolvimento da imprensa permitiu que muitos expusessem suas idéias. Acontece que quem tinha a maior possibilidade de fazer suas ideias circularem eram os mais ricos, os mais possibilitados.

   O mundo evoluiu em tecnologia, e a imprensa se tornou uma das maiores armas internacionais, tendo força suficiente para estabelecer ou parar guerras. Assim, aquele país com maior poderio econômico, passou a modificar a seu bel-prazer as informações e pontos de vista.
  Logo notou-se  necessidade de uma união, global, para que prioridades fossem estabelecidas, como o cuidado com o meio ambiente e um comércio internacional mais regrado, melhor empregado, alavancando o desenvolvimento de todas as nações. Essa união, a priori, era somente com a intenção dessa alavancada, mas logo nota-se que as nações dominantes, que ditam as regras do mercado internacional, passaram a impor seu modo de vida. "American way of life" - todo o mundo o adotou. Os EUA, potência desde o final da primeira guerra, aumentando seu poderio ainda mais pós segunda guerra, implementou de maneira vigorosa seu estilo de vida ao mundo todo, forçando um consumo demasiado de bens, com desvalorização de bens de média duração, como computadores, celulares, carros, (...).

   E pra terminar, já que estou sendo BEM sucinto (detesto o fato de não poder construir minhas ideias, sem poder dar nexo ao texto, mas meus leitores desaprovam postagens longas....), deixo o pensamento: até quando vamos permitir a "americanização" do mundo? Até quando vamos deturpar nosso modo de vida? Até quando vamos viver numa realidade que não é a nossa?


Espero que as visitas aumentem...
E se reclamarem que o texto ficou fraco, vou ficar emputecido, ok? Culpa de vocês que deixaram de acessar o blog!!!! >.<

domingo, 23 de janeiro de 2011

Educação II: Corpo Docente I: História e desvalorização;

   Boa tarde aos amigos leitores. Peço desculpas pela demora para realizar nova postagem, mas me ausentava pela segunda fase do vestibular e por uma viagem à casa de um grande amigo.

  Hoje resolvi continuar na temática "educação", me voltando a primeira discussão sobre o corpo docente. Como disse nossa nova presidentA (como ela prefere ser chamada, e não de A presidentE) disse, em seu discurso de posse, que "(...)os professores são os verdadeiros especialistas em educação(...)". Sem delongas, estou de total acordo, então vamos discutir um pouco sobre o professorado.
   Devo frisar que comentarei apenas a história OCIDENTAL nessa postagem, ok?

  Como meus camaradas leitores provavelmente são estudantes - ou pessoas já estudadas, ou até mesmo professores - creio que podemos todos opinar a partir de nosso empirismo, certo?

  Ao longo dos tempos (digamos eras, séculos) a profissão "professor" veio se alterando, bem como sua visão dentro da sociedade. Há muito tempo atrás eram poucos os capacitados a passar o ensinamento; os pais repassavam seu ofício aos filhos, sendo assim muito difícil a transição de classe social. Alfabetizados? Apenas membros da nobreza ou clero (isso quando a nobreza sabia...). Vimos que, por exemplo, os escribas, no Egito antigo, que podemos considerar como uma mescla de advogados e professores, gozavam de elevada posição social, eram tidos como os verdadeiros poderosos, bem como os filósofos tinham seus discípulos, e eram os "seres mais importantes da grécia".

  Com o passar do tempo, vemos que o professorado passou a sofrer mudanças. Dentro da igreja católica, da alta idade média (vamos ver se todos aprenderam direitinho... a alta idade média acaba com a queda de que império??? Espero resposta nos comentários (y)  ), dividida claramente entre membros do clero provenientes da alta sociedade (nobreza) e da classe baixa (maioria esmagadora, como ainda é, infelizmente...). Os membros do "baixo clero" (provindos da classe baixa) tinham instruções mínimas, enquanto os membros do alto clero, detentores de praticamente todo o conhecimento formal da época, eram ensinados pelos membros mais importantes do clero; portanto, vemos os professores aqui como uma "classe social" de altíssimo prestígio, mais uma vez.
   Logo, tivemos a queda do império (respondam vocês...), e o início da baixa idade média. Embora essa divisão não seja exatamente factual, vamos nos utilizar dela para demonstrar o surgimento de uma nova classe social, a burguesia. Houve um certo declínio no poder da Igreja, pilar do "mundo civilizado euro-ocidental", e  essa nova classe social, formada por outrora simples camponeses, começou a se fortalecer, pela expansão e aumento de importância que as cidades começaram a ter no cenário europeu.
  Os então burgueses, por não serem considerados nobres, buscavam tal refino, que séculos de domínio sobre eles, impedia que a cultura transmitida por seus pais tivesse sofisticação, buscavam entrar na nobreza, por casamentos com membros desta, e os nobres, em posição decadente, pela perda de bens sucessiva, decorrente da mudança da economia transitória, buscavam o dinheiro dos burgueses. Mas algo dificultava essa ligação; a própria cultura. Temos aí os professores como uma classe determinante na direção tomada pela civilização, agregando conhecimento à burguesia, e estabelecendo novos padrões sociais.

  Chegou então o período conhecido como Renascimento, onde tivemos verdadeiros gênios (espero que citem uns dois ou três nos comentários, camaradas ^^) responsáveis pelo estudo da anatomia humana, pelo aprimoramento da tecnologia (até novos conhecimentos de como construir pontes melhores - que melhorou significativamente o transporte, por consequência o comércio e a troca de cultura e conhecimento...), desenvolvimento da física clássica, aprimoramento das artes plásticas (enunciemos "La Gioconda" - quem disser o nome mais famoso dela ganha um prêmio; e "O Pensador" - quem foi seu escultor?), entre N outros ramos.  Com o renascimento, houve uma ploriferação do conhecimento, onde surgiram alguns sábios que tinham uma função semelhante aos filósofos na história antiga, porém não gozavam do prestígio da história antiga, como os filósofos. Assim surgiram professores quase como os conhecemos.

  Para por um fim no domínio histórico massivo da igreja, veio o Iluminismo, movimento surgido na França, com personalidades importantes para a época, como John Adams (e o capitalismo...), John Locke, Voltaire, Montesquieu, e muitos outros, que revolucionaram o modo de pensar da sociedade, dissipando o conhecimento para toda a população. Aí os professores tiveram suma importância, no desenvolvimento desta nova sociedade. Os burgueses, buscaram fervorosamente professores para que seus filhos pudessem desfrutar do conhecimento necessário para que a classe fosse dominante, e pudesse se desenvolver. E assim foi.
  Filhos de ricos, ensinados pelos professores, tornaram-se arquitetos da nova revolução que viria, em meados do século XVIII, na Inglaterra. O desenvolvimento de maquinaria adequada à alta produtividade rendeu o maior impacto ambiental, bem como o maior desenvolvimento da sociedade, e a produção em massa. Particularmente, credito a classe dos professores tal desenvolvimento; mas estes foram esquecidos, por terem seu brilho ofuscado por seus alunos; atrás de um grande homem sempre há dúzias de outros, que o  emergiram.

  Com a revolução industrial e o surgimento do operariado, passado um tempo, notaram que operários bem ensinados, operários bem treinados, aumentavam sensivelmente a produção, diminuiam acidentes, controlavam melhor o maquinário. Assim  educação começou a se popularizar.
  Ao mesmo tempo que os operários eram ensinados pelos professores, começaram a notar sua exploração. A Educação (note a letra maiúscula; tomo-na como um ser, uma entidade a qual todos precisam ter contato...) foi uma faca de duas lâminas ("dois legumes" xD), que beneficiava os dois lados, tanto os industriais, que obtinham maiores lucros, como os operários, que passaram a lutar por seus direitos, dando um certo "prejuízo" a seus empregadores. Creio que podemos tomar como declínio da profissão "professor" neste momento.
   A Educação passou a ser, de certa forma, direito de todos, e os professores passaram a sofrer um certo preconceito, vindo dos industriais da época, que eram a "classe dominante". O preconceito passou a vir de cima para baixo. A cultura passou a ser modificada, e com a vulgarização pela quantidade de professores despreparados, que a grande demanda ocasionou, os professores passaram à condição de trabalhadores comuns.

  Essa situação dos professores manteve-se nesse ritmo até hoje. Podemos dizer que houve flutuações (quase uma função senoidal, para os colegas das exatas que lêem o blog, e gostam da precisão de descrições, não conseguem abstrair e imaginar um pouquinho...), mas o professorado passou a ser algo tão comum e corriqueiro quanto qualquer outra profissão. Discordo disso, mas fica para o final do texto minha crítica, bem como a opinião de você leitor...

  Ao entrarmos no século XX, com novas idéias ao redor do mundo e o desenvolvimento tardio da grande maioria dos países, bem como o início da globalização, a educação passou a ser regulamentada em boa parte dos países, sendo legalmente um direito dos cidadãos. Todos os Estados (Estado é diferente de governo, pra quem prestou segunda fase da Unicamp, ok?) buscaram trazer com a educação o desenvolvimento. Exatamente como os industriais fizeram uns séculos antes, só que em uma dimensão MUITO superior. Digamos que esta dimensão maior da popularização foi uma função linear, em relação a dos industriais; a desvalorização do professorado ocorreu de maneira exponencial. Logo, os professores foram atirados na lata do lixo.

  O estudo, em meados do século XX, passou a ser desprezado, bem como quem o repassava, por TODA cultura. Os "nerds", estudantes exímios, de grande capacidade, com potencial para serem grandes professores e mudarem o rumo da civilização como fizeram ao longo de toda a história, passaram a ser ridicularizados e sofrerem discriminações. Quem possuía o conhecimento começou a ser tratado como um 'certinho', que não se aproveita do sistema. Os 'certinhos', futuros professores, passaram a ser cada vez mais rejeitados pela sociedade em geral, e notamos essa manifestação cultural por filmes onde os nerds eram os 'otários', os 'perdedores'.
  Se os nerds eram perdedores, por estarem COMEÇANDO a seguir um rumo acadêmico, o que podemos dizer de quem aponta o caminho? Os professores, que antes eram grandes figuras sociais, passaram a ser vistos como... (insira um substantivo MUITO ruim aqui).

  A autoridade dos professores, dentro da classe e da escola, foi cada vez mais retirada. Se nossos pais e avós sofriam castigos físicos na sala de aula, como a palmatória (que formou alguns cidadãos "meio importantes", como Lula, Caetano Veloso, Chico Buarque - no Brasil; lá fora podemos dizer Bill Gates, por exemplo...Citem mais, galera... sei que vocês tem ídolos meio 'tiozões'...) foram abolidos. O castigo no cantinho da sala deixou de existir no início deste século. E em 2010 o tapa no bumbum também foi proibido para os pais, talvez os maiores educadores de um indivíduo. Somos animais, e como tais, precisamos apanhar para aprender, creio. Em níveis diferentes de um cachorro, claro, mas necessitamos de algum tipo de castigo...

  Professores não podem mais bater em seus alunos. Não podem castigá-los. Não podem gritar com eles. E a sociedade vê os professores como sub-profissionais, onde os alunos que mais perturbam os mestres são os heróis da turma. Aposto que todos vocês, leitores, já perturbaram um professor, só para vê-lo irritado! Ok, a sociedade instiga os pequenos cidadãos em formação a desvalorizar quem os ensina; para onde estamos indo?

  Professores são os profissionais responsáveis pela formação de um país; por sua base, por sua cultura, por seu crescimento. São os responsáveis pela formação dos cidadãos. Se eles são desvalorizados, o que viraremos? Se desprezarmos quem nos ensina, para onde iremos? Não foi pelo racional que nos tornamos diferentes dos outros animais? E esse raciocínio não nos foi passado até agora? Quem sabe os desordeiros de hoje não voltem a ser como animais tidos como irracionais, né? Assim gostaria -.-

  Por sorte, nos últimos3 ou 4 anos, houve uma valorização da classe nerd, "promovendo-os" a Geeks. Será que é o início de uma mudança comportamental? Gostaria que sim.

  Vamos valorizar a classe mais importante da sociedade, os professores. Vamos respeitá-los. Sei o quanto minha mãe sofre com essa desvalorização, professora há 29 anos, e já comentou sobre muitas fases da educação.

  Próxima postagem sobre Educação creio que será sobre a falta de competência de alguns professores, causada pela desestruturação generalizada pela desvalorização dos mesmos, bem como sobre professores que não se esforçam (que não são de fato professores, e sim sofistas meia-boca).

Abraço aos guris, beijo na bochecha às gurias o/ *risos*