Aqui vem mais um post, nada bombástico e carregado de expressões por vezes de difícil compreensão, ideias quase vazias ou clichês, mas ainda assim, minhas ideias (e essa porcaria de idéia que virou ideia já seria um bom gancho para este assunto, mas vou me utilizar de outro caminho).
Espero que, nesta postagem, haja algum tipo de discussão entre os leitores, afinal, este blog existe para abrir a cabeça das pessoas, para que cada um tenha o direito de compartilhar com colegas seus pensamentos, suas visões e tudo mais. Creio que educação seja um... rio, de leito largo e profundo, com direito a muitos afluentes. Façamos deste post o mais comentado. A menos que meus queridos leitores não tenham opiniões e sejam apenas marionetes...
Bem, gostaria de comentar um pouquinho sobre mim, para poder explicar o que vem a seguir. Como acho que meus leitores já sabem, estou perto de completar 20 anos, e caminho ao terceiro ano da graduação. Como nem todos os leitores sabem, eu não sou exatamente um aluno aplicado, talvez não tenha o dom para mexer com números, embora eu os ame. Talvez por esta falta de habilidade, e com certeza pela minha procrastinação e preguiça extremas, eu venha acumulando um grande número de DPs, aliado ao fato dos meus problemas em geral, de cunho pessoal e familiar.
E o que isto tem a ver com educação? Bem... É um desvio do meu comportamento isso, mas tem algumas consequências, como a inviabilidade de um possível mestrado na minha universidade ou mesmo o cancelamento de minha matrícula, já que a Unicamp estipula um prazo para que seus alunos se formem. Nada mais justo. Logo, estou usando de um artifício para corroborar minha estadia por lá: estou, mais uma vez, prestando vestibular, a época mais trevosa da vida dos estudantes de ensino médio - que pode durar até seus 25 anos, se resolver prestar medicina...
É interessante ver como um sistema falho de educação se aproveita de um recurso injusto de seleção dos "mais aptos" a cursar a graduação. Se o sistema de seleção fosse eficiente, julgando pelo meu caráter
Mas por que há essa necessidade de uma prova para selecionar? Creio que o problema é um pouco mais profundo. Não há, em nosso país, uma política educacional. Não há uma cultura educacional. Não há uma real educação das pessoas.
Até aí não é novidade a nenhum de nós, certo?
Como não quero esgotar essa temática, que espero ser recorrente ao longo da vida deste blog, vou enunciar o que considero como pilares da educação ética-moral-civil-formal-adicione_o_caráter_que_quiser de um cidadão. Gostaria que vocês, leitores, também os enunciasse, mostrando concordância ou discordância desse meu ego gordo aqui. Tentarei alocar de maneira cronológica as fases de nossa educação.
1º Enquanto bebês
Nascemos, ok, muito bom. Provavelmente não tenhamos, enquanto recém-nascido, uma capacidade física de pensarmos e aprendermos, certo? Errado. Aprendemos que quando choramos de um certo modo, podemos conseguir o que queremos, e aí já mostramos traços de nosso caráter, e começa nosso processo de educação. Educar um recém-nascido?- tarefa meio complicada. Mas nossa sociedade desenvolveu uma instituição capaz de conseguir fornecer uma certa proteção e ajuda nesses primórdios do nosso ser. Provavelmente responsável por muito do que viremos a ser, essa eficaz instituição se chama família. ACONTECE que, pela pluralidade de culturas, de crenças e de pontos de vista, cada um se é formado de um modo. Isso é bom, pois o posterior contato com outras pessoas tende a nos acrescentar coisas. Mas, nosso contexto social atual já começou a cair morro abaixo. A família torna-se uma instituição de falência iminente. Vemos N casos de situações onde a família abandona a criança, o bebê, a mercê de estranhos, como a creche, ou pais que deixam babás cuidarem de seus filhos e educarem ao modo delas. Crédito às babás. Mas o filho deixa de ser filho, pois recebe ensinamentos diferentes da visão dos pais, e semelhantes ao das babás.
2º Somos crianças
Agora somos crianças, já tivemos nosso comportamento ligeiramente moldado. Aí vem a fase da imposição de limites, ainda dada pela família, mas já temos contato com outras pessoas, e a escolinha. Multi-ensinamento, multi-educação. Sugiro que os limites não sejam trabalhados como imposição, e sim como marcas dos direitos dos coleguinhas (discutiremos isso mais pra frente). Já começou o caos, aí. Sempre tem um valentão que lasca medo, um "nerd", um com mais dificuldades, um mais agitado, um que dorme... E assistimos TV também! Desenhos ótimos, como Power Rangers, que ensina a descer porrada nos monstros... E briga para quem vai ser o Ranger vermelho. Já estamos corrompidos. A mídia mais acessível, a todos os públicos de todas as idades já não tem uma programação adequada à formação de um indivíduo socialmente saudável. Exceto por alguns bons programas, geralmente da Rede Cultura.
3º Adolescemos
Crescemos mais um pouco, chegamos ao ginásio. Influências externas à família agora se tornam mais fortes, e nos tornamos escravos das amizades. Talvez eu tenha passado essa época mergulhado no computador. Não tive muitos problemas, exceto por uma professora gramaticista na sétima e oitava séries, que até hoje passo mal ao ver um erro de português, e tenho uma escrita razoável graças a ela; uma professora de matemática meio peruona, que me detestava por ser vagabundo. É nessa hora que os pais jogam a responsabilidade da educação para a escola, que é uma instituição falida pelo pouco apreço social que professores tem, pelas condições de ensino, pela metodologia obsoleta empregada etc. Escolhemos nossos gostos musicais, que filmes assistiremos e tudo mais.
Ensino médio, já aparece as concorrências por emprego, por um lugar na sociedade. E estamos perdidos, porque está chegando vestibular, hora de escolher a profissão na qual vai trabalhar até morrer. Poxa vida! É muito cedo para uma criança de 17-19 anos escolher o que quer fazer pro resto da vida! Ainda mais por não termos um acesso a um beneficiamento seletor que nos facilitaria a vida. Por exemplo em Cuba, onde a guria que manda bem em matemática já vai sendo direcionada para a área, ou o rapaz troncudinho já vai receber seu treinamento esportivo. Determinista? Sim, mas funciona, pois cada um tem seu dom melhor trabalhado.
Faculdade, época onde temos a oportunidade das mais diversas vivências e profundo aprendizado. Mas nem todos fazem uma graduação.
4º adultos
E voalá, somos adultos. Estamos plenamente encaixados na sociedade. E a interação com outros indivíduos torna-se intensa a medida que necessitamos de bens e serviços, vamos atrás deles sozinhos, escolhemos o que queremos assistir, teoricamente com a ciência de quem somos, porque somos e porque queremos assistir a isso e àquilo - até constituirmos nossa própria família. Muitos acham que a educação acaba aqui. Mas um cidadão, enquanto tal, deve continuar a ser educado até que não tenha mais essa condição. Deveríamos receber apoios para uma formação continuada, para podermos nos entender, entender como estamos estruturados e 'talz'.
Essa quatro fases se ligam, formando um ciclo.
Bem, não vou adentrar a fundo cada um destes temas nessa postagem, só gostaria de enunciar as fases e como e por quem somos influenciados. Gostaria que cada um de vocês, leitores, comentassem sobre fases importantes para vocês e algumas passagens que notaram que, de alguma maneira, os educaram, mudaram seus pontos de vista. Vamos fazer esse trabalho, esse levantamento, para podermos trabalhar melhor essa temática da educação.
Claro, vou deixar boa parte da culpa dessa nossa falta de educação civil à midia televisiva, que seleciona programas da mais baixa qualidade para repassar a nós, tentando nos tornar meros instrumentos, mera massa, marionetes dela. E vem fazendo isso muito bem. MUITO BEM. Minha revolta com a mídia também será exposta em postagem breve.
Gostaria de adendos a seguir, de vocês, amigos leitores =D. Espero que realmente participem deste projeto.
Abraços.